Andre Agassi: 'Nunca gostei de jogar tênis' e como superou o fardo
Agassi: 'Nunca gostei de jogar tênis' e superou fardo

Andre Agassi, um dos maiores nomes da história do tênis, revelou que, durante muitos anos, o esporte foi um fardo em sua vida. No painel de abertura da Expert XP 2026, o norte-americano, campeão de oito títulos de Grand Slam, falou sobre a relação difícil que manteve com o tênis e como transformou esse conflito em combustível para reconstruir sua trajetória.

Infância marcada pela pressão

“Na primeira página da minha biografia, eu admito: mesmo sendo bom no tênis, durante a infância e em grande parte da minha carreira profissional, eu nunca gostei de jogar”, afirmou Agassi no painel. Segundo ele, essa relação começou ainda na infância, marcada pela pressão dentro de casa. Filho de um imigrante iraniano que buscava nos Estados Unidos o sonho americano, Agassi contou que o pai, ex-boxeador, enxergou no talento do filho para o tênis uma oportunidade de ascensão para a família. “Minha única opção para manter a paz era ganhar”, disse.

O impacto emocional da cobrança

No palco da Expert, Agassi descreveu com franqueza o impacto emocional dessa cobrança. “Minha infância foi incinerada. Minha identidade inteira se tornou ‘ganhar ou perder’. A única saída era ser bem-sucedido. E o medo pode ser um baita motivador”, afirmou. Profissionalizado aos 16 anos, ele rapidamente chegou à elite do circuito e disputou finais dos principais torneios do mundo ainda muito jovem. O primeiro título de Grand Slam veio em Wimbledon, em 1992, marco que consolidou seu nome entre os grandes do esporte.

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A crise e a queda no ranking

Mas o sucesso não eliminou o desgaste. A desilusão com o tênis, somada a acontecimentos difíceis na vida pessoal, levou Agassi a se afastar momentaneamente das quadras em 1997. Naquele período, caiu para a 141ª posição do ranking mundial, em um dos momentos mais delicados da carreira. Foi também nessa fase que começou a redefinir o sentido de sua trajetória. Com um empréstimo de US$ 40 milhões, deu início ao projeto de uma escola voltada a crianças de baixa renda. “Eu decidi que só porque não escolhi minha vida, isso não queria dizer que eu não pudesse assumir o controle dela”, contou.

O retorno e a reconexão

O retorno às quadras, em 1998, veio com outra perspectiva. Mais do que voltar a competir, Agassi disse que voltou por vontade própria — e isso mudou tudo. “A principal diferença é que, quando voltei, eu queria estar lá. Me conectei com o que estava fazendo. Nada me distrairia dos meus resultados, dos meus desapontamentos ou até dos meus sucessos”, afirmou. A mudança se refletiu também nos resultados. Entre 1998 e a aposentadoria, em 2006, Agassi conquistou mais cinco títulos de Grand Slam, em uma reta final de carreira marcada por maturidade, resiliência e reconexão com o esporte. “Quando seu corpo está fraco, ele diz à sua mente o que fazer”, resumiu.

Conselho a João Fonseca

Agassi também elogiou o brasileiro João Fonseca, um dos nomes mais promissores do tênis mundial. Ao ser perguntado sobre qual conselho daria ao atleta, respondeu de forma bem-humorada: “Não ouça as pessoas que querem dar conselhos”. Na sequência, explicou que a mensagem não era um convite à resistência pura e simples, mas ao discernimento. Para ele, um talento em ascensão precisa desenvolver a capacidade de questionar, filtrar e interpretar o que escuta ao longo da carreira. Ainda assim, Agassi compartilhou algumas recomendações. Disse que ajudaria Fonseca a entender com clareza seus pontos fortes e, principalmente, a encontrar equilíbrio competitivo.

Equilíbrio competitivo

“Eu o ajudaria a entender o equilíbrio entre, talvez, aceitar jogar pior e ainda assim vencer. A coisa mais difícil no tênis é jogar nesse nível quando você só precisa jogar na média. Então, eu diria: sei que é bom ser brilhante, mas não tente ser brilhante. Tente ser melhor do que dizem que você é”, afirmou. Ao falar sobre os jogadores de que mais gosta de assistir, Agassi colocou João Fonseca ao lado de Novak Djokovic e Roger Federer em seu top 3. “É impossível não gostar de assistir a jogadores dinâmicos em quadra, seja pela velocidade, seja pela capacidade de defesa”, disse.

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