CBF monitora mais de 30 jovens brasileiros na diáspora para evitar perda de talentos
CBF monitora 30+ jovens da diáspora para evitar perda

Com o acelerado êxodo de jogadores brasileiros na década de 1990, após a abertura plena do mercado europeu, dezenas deles – promessas, famosos e desconhecidos – migraram para o Velho Continente, construíram famílias e multiplicaram o talento. Os filhos seguiram os passos dos pais e passaram a ser aproveitados em seleções dos mais diversos países. No entanto, eles representam apenas uma parcela dessa legião. Por isso, a CBF tenta identificar melhor os filhos dessa diáspora brasileira antes que vistam a camisa da “pátria-mãe”. Movimento que europeus e africanos já fazem com sucesso e que o Brasil pôde ver na Copa do Mundo conquistada pelos espanhóis há cerca de uma semana.

O trabalho da CBF na identificação de talentos

Atualmente, os quatro observadores técnicos do departamento de seleções da entidade têm catalogados mais de 30 brasileiros, nascidos entre 2007 e 2011, aproveitados em clubes da Europa, Estados Unidos e Arábia Saudita. Entre eles, além dos filhos que seguem os passos do pai emigrante, há aqueles que foram identificados precocemente em campos brasileiros, abrindo a oportunidade de a família viver outra realidade. Também estão incluídos os filhos nascidos do matrimônio entre pais de nacionalidades diferentes. O leque é diverso, exatamente como se viu nos quase 250 exemplos desta última Copa, tendo no lateral Hakimi, de Marrocos, nascido na Espanha, um dos casos mais divulgados.

Regras da Fifa e a movimentação precoce

Os mais de 30 monitorados pela CBF são aqueles que já exibem potencial para serem aproveitados nas seleções de base. Mas a própria entidade sabe que existem muitos outros ainda em desenvolvimento. Pelas regras da Fifa, o jogador com contrato de formação assinado com clube brasileiro (a partir de 16 anos) só pode se transferir para clubes do exterior quando completa 18 anos. Antes dos 16, no entanto, é livre para emigrar, no caso de transferência dos pais. Ou seja: os empresários investem na formação, empregando pai ou mãe no exterior (até ambos) e abrem espaço para o menino nas categorias de base de um clube europeu.

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Casos emblemáticos da diáspora

Neste recorte, um caso famoso é o de Rafael Belinho, talentoso meia liberado pelo Vasco em 2021, aos 11 anos, atendendo a um pedido do pai, que recebeu proposta de trabalho na Croácia. Ele ingressou no sub-13 do NK Vidobol e, no ano seguinte, transferiu-se para o Dínamo Zagreb. Recentemente, jornais espanhóis informaram que o Barcelona já monitora o jogador, apesar da multa rescisória estipulada em 100 milhões de euros. O menino hoje tem 17 anos e é naturalizado croata, sendo mais um exemplo de talento brasileiro que pode ser perdido.

Outro caso é o de Samuele Inácio, de 18 anos, nascido em Bergamo, na Itália, filho de pai brasileiro. Ele está sob monitoramento da CBF. Também merece destaque Enzo Alves, de 16 anos, filho do ex-lateral Marcelo, nascido em Madri, que escolheu defender a Espanha – assim como já ocorreu com Thiago Alcântara, filho de Mazinho; Rodrigo Moreno, filho de Adalberto; e outros, todos aproveitados pela seleção espanhola, da base ao profissional.

Impacto e desafios futuros

A CBF está catalogando os mais talentosos antes que vistam a camisa das seleções de outros países. Como já aconteceu com Thiago Alcântara, Rodrigo Moreno e Enzo Alves, todos aproveitados pela Espanha. Enfim, a seleção brasileira não sucumbe por falta de talento. Sucumbe, sim, às falhas de uma estrutura que ainda precisa ser mais bem trabalhada. Nunca é tarde para recomeçar, e o monitoramento da diáspora é um passo importante para manter a hegemonia do futebol brasileiro.

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