Na noite desta quarta-feira (8), Herlander Zola, CEO da Stellantis, promoveu um jantar com um seleto grupo de jornalistas automotivos e garantiu que haverá um reposicionamento das marcas francesas do conglomerado de sete marcas que compõe a Stellantis, se referindo a Peugeot e Citroën.
Peugeot como marca premium e Citroën complementar
“A intenção é reposicionar a Peugeot, trazê-la acima da Fiat como marca premium”, disse Zola, que também confirmou que há um gap de produto na Citroën com o envelhecimento da linha e que ela também vai ocupar um outro posicionamento, sendo complementar a Fiat e abandonando claramente o direcionamento de ser uma marca de volume.
Parceria estratégica com a Dongfeng
Para esse verdadeiro “rebranding” das duas marcas, a Stellantis tem uma “carta na manga”: a parceria com a Dongfeng. O grupo já é parceiro da gigante chinesa há pelo menos 30 anos e a negociação é que essa parceria se estenda ao Brasil. “A parceria com a Dongfeng pode incluir a produção local, utilizando a estrutura fabril existente, e também o desenvolvimento de novos produtos com foco nas necessidades do nosso mercado”, diz Herlander.
Ao ser questionado sobre qual seria o direcionamento da linha de produtos para Peugeot, o executivo citou os dois conceitos da marca apresentados no Salão de Pequim como um possível “caminho” de uma nova era para a Peugeot.
Contexto argentino e percepção da Citroën
O executivo relatou ainda que, devido a um contexto governamental, a fabricação da Peugeot na Argentina fragilizou a estratégia da Peugeot no mercado brasileiro, mas o grupo irá mudar essa realidade. Quando questionado sobre o motivo da Citroën não ter atingido o objetivo de ser uma marca de volume, Zola contou que há uma percepção do brasileiro de que seria um modelo com manutenção elevada, pois a Citroën já teve um posicionamento premium no Brasil, único quando comparado com a percepção da marca em todos os outros mercados do mundo.
Concept 6 e Concept 8: os novos franceses no Brasil?
As grandes estrelas da marca em Pequim foram dois carros-conceito inéditos que antecipam as linhas de produção que abastecerão os mercados internacionais, abrindo as portas para a chegada ao portfólio brasileiro. De acordo com o comunicado oficial da Stellantis, esses conceitos prefiguram uma linha inteiramente nova de sedãs e SUVs de grande porte.
O ponto crucial para o Brasil é que esses veículos serão fabricados pela Dongfeng em Wuhan não apenas para o mercado local chinês, mas especificamente com foco na exportação para os mercados internacionais da marca. Porém, segundo Zola, dependendo de como avançar o acordo com a Dongfeng, esses modelos poderiam até contar com produção local.
Peugeot Concept 6
O visual adota uma silhueta “felina” que funde a elegância tradicional de um sedã com o dinamismo de uma shooting brake (perua esportiva). É a aposta para fisgar clientes que buscam sofisticação e desempenho elétrico com proporções atemporais.
Peugeot Concept 8
Focado no segmento que mais cresce no mundo, o Concept 8 prepara o futuro dos SUVs grandes da Peugeot. Com um design puro focado na eficiência aerodinâmica, o modelo promete uma postura imponente nas ruas.
Impacto no mercado brasileiro
Para o Brasil, a aliança entre Stellantis e Dongfeng representa uma virada de chave para Peugeot e Citroën. Após consolidarem suas bases na região com modelos compactos e acessíveis (como as linhas C3 e C3 Aircross na Citroën, e os 208 e 2008 na Peugeot), as marcas francesas agora terão fôlego e tecnologia de ponta para brigar nos segmentos superiores. Aproveitando a expertise e a competitividade da produção de elétricos na China, a Stellantis conseguiria trazer ao mercado brasileiro carros com alto teor tecnológico, inteligência artificial embarcada e autonomia de última geração.
No fim da entrevista, o executivo ainda afirmou que não é possível ser competitivo hoje no Brasil com os chineses no mercado de híbridos plug-in e elétricos, pois eles dominam a tecnologia e a cadeia de produção, segmentos que mais crescem em vendas atualmente.



