O HSBC Brasil aposta no ritmo recente de crescimento de suas receitas para ganhar relevância no resultado global do grupo, afirmou o presidente-executivo da instituição, Alexandre Guião. Em entrevista à Reuters, o executivo destacou que a operação brasileira já figura no top 20 do HSBC, presente em 55 países, e que a meta é alcançar o top 10. 'Nós queremos ser top 10, nós queremos continuar crescendo para ser um país cada vez mais relevante', disse.
Crescimento acelerado das receitas
Guião não definiu um prazo para essa ascensão, mas revelou que nos primeiros cinco meses de 2026 o banco já registra um crescimento de 39% na receita. Esse avanço ocorre após o fechamento de 2025 com aumento de 20% ante 2024, que já havia registrado uma alta de 12% frente a 2023. O executivo ressaltou que essa expansão é ainda mais significativa quando consideradas as operações originadas no Brasil, mas contabilizadas no exterior. 'Nós estamos com um crescimento super forte', afirmou.
Resultados financeiros e estratégia
Em 2025, o HSBC Brasil teve lucro líquido de R$ 216,2 milhões, alta de 30,4% em relação ao ano anterior. Desde a venda da operação de varejo no país, concluída em 2016, o banco se reposicionou no Brasil e hoje é uma instituição focada no atacado, atendendo cerca de 800 grupos econômicos, a maioria multinacionais. O banco tem concentrado esforços em atender grandes empresas com presença internacional e conectar fluxos financeiros entre países, usufruindo da 'globalidade' da operação.
Áreas de destaque e inovação
Internamente, as áreas de pagamentos e tesouraria têm sido as principais responsáveis pelo avanço da receita, refletindo a demanda de multinacionais por soluções integradas entre diferentes países. O banco tem apostado em customização para competir com instituições maiores no país, incluindo projetos como soluções de conciliação financeira automatizada.
Fluxo com Ásia e China
Guião destacou a relevância do fluxo comercial entre Brasil e Ásia, especialmente com a China, para a expansão das receitas. Nesse eixo, o Brasil já figura entre os dez maiores mercados do HSBC em termos de receita.
Desafios e cautela no crédito
Apesar do desempenho, o executivo apontou desafios no cenário brasileiro, sobretudo os juros elevados e o risco fiscal, fatores que impactam o crédito corporativo. O HSBC Brasil precisou registrar no balanço deste ano provisões relacionadas a operações com a produtora de açúcar e etanol Raízen e o varejista GPA, que buscaram acordo com credores para reestruturação de suas dívidas. Guião disse que esses casos recentes levaram o banco a reforçar a cautela na concessão de crédito, mas ressaltou que a instituição continua apostando no crescimento.
Setores promissores
Ele apontou que setores como infraestrutura, energia e agronegócio seguem com boas oportunidades, e também destacou projetos ligados à transição energética, lembrando que o HSBC tem metas globais ambiciosas de financiamento nessa área.



