Wagner Ferreira Jr., conhecido como Wagner Ceasa, é mais um exemplo de superação que saiu das redes sociais. Cria de Belford Roxo, ele acumula mais de 1,2 milhão de seguidores entre TikTok e Instagram, mas sua história começou muito antes da fama, carregando mercadorias na Ceasa, em Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Infância e primeiros passos no trabalho
Cria do Morro da Caixa d’Água, em Belford Roxo, Wagner lembra com carinho da infância em uma época em que a violência ainda não dominava a região. Aos 10 anos, começou a ajudar o pai no trabalho. Aos poucos, a experiência se transformou em responsabilidade. "Meu pai me mostrou desde cedo que a vida não é um morango. Foi aqui que aprendi o valor do trabalho", conta.
Wagner começou a frequentar a Ceasa com dez anos, ajudando o pai. "É um trabalho, mas não era um trabalho firme, igual quando eu comecei com os 14. Mas aí foi gradativamente ficando chapa mais quente, a habilidade foi aumentando. Com grandes poderes vem grandes responsabilidades, né?", diz ele, que conciliava o trabalho com os estudos.
Múltiplas profissões e a virada em 2022
Ao longo da vida, Wagner acumulou profissões. Foi vendedor, carregador, barbeiro, professor de música, instrutor de kickboxing, piloto e instrutor de parapente. "A gente não tem muitas oportunidades na vida, então a gente tem que criar, né?", afirma. A necessidade de criar oportunidades o levou a buscar diferentes caminhos para conquistar independência financeira.
A virada aconteceu em 2022. Em um momento de dificuldades financeiras, com o carro quebrado e vendas em baixa, ele decidiu gravar um vídeo mostrando quanto ganhava um carregador na Ceasa. O conteúdo viralizou. "Não deu um mês e eu já estava monetizando nas redes sociais. No dia seguinte ao vídeo, já tinha gente querendo tirar foto comigo aqui na Ceasa", lembra.
Violência urbana e a saída de Belford Roxo
Wagner também fala sobre a violência que enfrentou na comunidade. "Quando a violência no Morro da Caixa d’Água aumentou, para mim foi uma fase muito ruim na minha vida, sabe? Porque um lugar que tu cresceu virou um lugar que você se sente refém", desabafa. Ele conta que via amigos crescendo e entrando para o crime, e que ele mesmo já chegou a ter um fuzil apontado para sua cara. "Eu vi um cara morrer a um metro de mim, tomou um tiro de fuzil e caiu duro", relata.
Há cinco anos, ele se mudou de Belford Roxo por causa da violência. "Eu saí de lá por conta da violência mesmo, eu chegava do trabalho com fuzil na cara por causa da guerra. Você sai e não sabe se volta vivo e depois que morre já era", explica.
Princípios e recusa a jogos de azar
Com toda a trajetória social e os valores aprendidos com o pai, Wagner afirma que se recusa a divulgar jogos de azar. "Não importa o valor. Se não está dentro dos meus princípios, eu não faço. As pessoas confiam em mim e eu não vou incentivar ninguém a perder dinheiro", diz ele, que recentemente recusou uma proposta de 50 mil reais para divulgar o 'jogo do tigrinho'.
Legado do pai e conselhos para o futuro
Wagner credita ao pai os valores que carrega. "Cara, meu pai é tudo pra mim. Tem gente que admira Cristiano Ronaldo, Messi, Mc... O cara que eu mais admiro na vida é o meu pai", afirma. Ele quer retribuir tudo o que o pai fez por ele. "Ele me trouxe para conhecer a Ceasa, já são três gerações aqui, meu avô, meu pai e eu em meio a adversidade. Eu tenho ele como referência e quero dar uma vida muito melhor para o meu pai", completa.
Para quem está começando, ele deixa um conselho: "É só persistir nos seus sonhos. É possível, confie em você mesmo, sabe? Eu acho que é isso. Você tem que confiar em você mesmo, no seu potencial. Porque se você deixar outra pessoa acreditar em você, você nunca vai chegar em lugar nenhum na vida. Então você tem que ser o seu fã número um".



