A chef Sabrina Costa aceitou o desafio de assumir a cozinha do restaurante Benedita Cozinha Afetiva, em Fernando de Noronha, enquanto enfrentava outro turbilhão na vida pessoal: ser mãe solo de uma menina de um ano. Nascida em Santos e criada em São Vicente, no litoral de São Paulo, ela afirmou que a gastronomia nunca foi uma escolha, mas um chamado. "Cozinhar sempre foi algo muito forte dentro de mim. Sempre gostei, amei e não conseguia me imaginar fazendo outra coisa. Nunca tive uma segunda opção", afirmou.
Trajetória na Baixada Santista
Antes de estar à frente do Benedita, Sabrina atuou nos restaurantes Madê e Paru, também do chef Dário Costa. Em entrevista ao g1, ela relembrou o início da trajetória na Baixada Santista. "A minha experiência tanto no Madê quanto no Paru foi a principal base da minha trajetória dentro da cozinha profissional. Até porque participei da abertura dos dois restaurantes", contou. Ela destacou o aprendizado em liderança e operação, fundamental para enfrentar a dinâmica de uma ilha.
Sabrina começou a cozinhar desde criança. "Desde os 6 ou 7 anos de idade, eu já falava que, quando crescesse, queria ser cozinheira. E acabou que levei a brincadeira a sério. Sempre foi o meu sonho de vida", disse.
Desafios de cozinhar em Fernando de Noronha
Fernando de Noronha foi o maior desafio da carreira. "A dinâmica do restaurante, por si só, já é intensa. A gente fica responsável pelas pessoas, tem a questão do alojamento, e a logística é completamente diferente. Tudo chega de barco ou de avião", explicou. Para ela, a experiência na ilha foi transformadora: "Noronha foi a mais desafiadora e a que mais me fez evoluir profissionalmente e até pessoalmente". A chef também ressaltou a conexão com o Nordeste, já que sua mãe é pernambucana e o pai sergipano.
Essência da cozinha afetiva
No Benedita, Sabrina busca entregar cuidado e respeito aos ingredientes. "Imagina a logística que é trazer até um simples coentro? Muitas vezes ele precisa vir de avião para garantir que chegue com qualidade", afirmou. A cozinha dela tem forte influência do mar, herança do pai que pesca. "Minha cozinha é muito essa mistura de peixe, mar e brasa, que é o que eu mais gosto", disse. Ela defende a valorização da culinária caiçara, com técnicas de salga, secagem e conservação.
Maternidade solo e carreira
Sabrina concilia a maternidade com a profissão: "Escolhi não abrir mão da minha profissão, de continuar crescendo e me desenvolvendo profissionalmente, porque acredito que o maior bem que posso deixar para minha filha é o exemplo". Ela reflete sobre a desigualdade de gênero: "O que a gente queria mesmo era mais equidade entre os papéis de homem e mulher na maternidade. Mas essa ainda não é a realidade. Acho que romantizam demais esse título de 'mulher guerreira', e a gente nunca quer ser guerreira, porque custa muito". Apesar das dificuldades, ela não se arrepende: "Faria isso quantas vezes fossem necessárias, porque essa experiência me transformou como mulher, como mãe, como chefe e como líder".



