O CEO da Bupa, Iñaki Ereño, revolucionou o processo seletivo de sua empresa ao substituir a tradicional entrevista de uma hora por um sistema de seis horas de testes, divididos em três encontros. A abordagem inclui um almoço ou café da manhã em restaurante, onde até o pedido de bebida é analisado. "Costumo não gostar de pessoas que não têm iniciativa", disse Ereño à Fortune. "Imagine que minha bebida seja um copo d'água. Fico muito satisfeito com alguém que diga: 'Você se importa se eu pedir uma taça de vinho?'"
Teste de confiança e liderança
Ereño afirma que prefere candidatos que ousam pedir vinho mesmo quando ele não pede, em vez de seguidores que imitam seu pedido. "Eu não gosto de seguidores, daquele tipo que pensa: 'ah, então eu também vou pedir água, não quero vinho'", declarou. Para ele, essa postura revela o nível de confiança e separa líderes do restante. "Seja mais proativo, menos passivo. Corra alguns riscos, tome iniciativas", aconselha Ereño a quem busca cargos de liderança.
As três etapas do processo secreto
O CEO da Bupa, empresa de saúde europeia com receita de US$ 24,5 bilhões em 2025, atuação em 190 países e mais de 100 mil funcionários, desenvolveu o método após aprender "da forma difícil" que uma hora de entrevista não basta. "Reduzi meu nível de erros na contratação ao montar um sistema baseado em três encontros, de duas horas cada. Essa é a minha arma secreta." O primeiro encontro é uma análise clássica do currículo. O segundo ocorre em um restaurante, onde a avaliação vai além do pedido de bebida. "A forma como você trata o garçom, para mim, é uma obsessão. Quero ver o quão gentil você é. Você precisa ser respeitoso", explicou Ereño, observando linguagem corporal e confiança. O terceiro encontro volta ao escritório com perguntas pessoais: "Do que você gosta? O que você vê na nossa empresa? O que espera da Bupa?"
Outros CEOs com métodos incomuns
Ereño não é o único. Khozema Shipchandler, CEO da Twilio (avaliada em US$ 31 bilhões), entrevista candidatos seniores em jantares de 45 minutos, observando o uso excessivo de "eu" como sinal de falta de trabalho em equipe. Ele também reserva 20 minutos para perguntas do candidato; se não houver perguntas, é "um grande sinal de alerta". Há relatos de CEOs que não contratam quem coloca sal na comida antes de provar ou que pedem ao garçom para errar o pedido de propósito. Steve Jobs, da Apple, realizava o "teste da cerveja": levava candidatos para caminhadas e perguntava: "Eu tomaria uma cerveja com essa pessoa?" Steven Bartlett, do Diary of a CEO, contratou alguém com zero experiência porque a pessoa agradeceu ao segurança pelo nome. "Seis meses depois, ela foi uma das melhores contratações", disse Bartlett.



