A novela envolvendo a renovação do contrato do Corinthians com Memphis Depay entrou em um momento decisivo, com aspectos financeiros, esportivos e políticos na mesa do presidente Osmar Stabile. O dirigente tem ouvido todos os envolvidos – departamento de futebol, diretoria financeira e conselheiros políticos – para tomar uma decisão.
Prazo e entraves financeiros
O contrato de Memphis termina no próximo dia 31 de julho e, apesar dos quatro transfer bans em vigor, não há impeditivo para eventual renovação depois dessa data, no entendimento do departamento jurídico do Corinthians. Mesmo assim, a expectativa dos dois lados é de resolver a questão antes disso. O principal entrave é financeiro, devido à gravidade da crise que o clube atravessa e à avaliação de parte da diretoria e de conselheiros aliados de que o custo-benefício de Memphis não é positivo.
Stabile chegou a falar publicamente que precisaria de empresas parceiras para bancar a remuneração do holandês e que o Corinthians não desembolsaria mais nada a partir de julho, mas posteriormente o clube apresentou uma proposta dentro do que considera viável.
Propostas divergentes
Decidido a permanecer, Memphis aceitou uma diminuição no salário e nos bônus por performance, mas propôs contrato de três anos, até julho de 2029. O Corinthians, que apresentou uma proposta de renovação por dois anos, considera ser difícil aceitar uma duração maior, já que a diretoria tem trabalhado, em todas as contratações recentes, com vínculos curtos.
O estafe de Memphis acredita que o jogador fez concessões importantes e renunciou ao que era possível para se enquadrar na realidade financeira do Corinthians. Mesmo com as reduções, Memphis tem patamar de remuneração considerado alto e ainda tem mais de R$ 40 milhões de dívidas do contrato atual a receber do clube. Os novos valores não são revelados pelas partes, mas quem é contra a renovação questiona o custo-benefício do holandês.
Resistência política e desempenho
Na visão dos detratores, o atacante não vem jogando bem e tem apresentado muitos problemas físicos. Há enorme resistência de diferentes alas políticas do Parque São Jorge que consideram a renovação prejudicial para o clube no atual momento financeiro, ainda mais como uma herança da gestão do ex-presidente Augusto Melo. Neste ano, Memphis só jogou 14 partidas pelo Corinthians, marcou um gol e deu uma assistência. Foram 51 jogos, 12 gols e dez assistências no ano passado.
Na Copa do Mundo, o experiente atacante, de 32 anos, começou sempre como reserva e entrou só no segundo tempo nas três partidas da Holanda na fase de grupos. Ele não participou da eliminação para Marrocos na segunda fase. O Mundial reforçou o entendimento interno no Corinthians das dificuldades físicas de Memphis. Há quem diga que a pouca utilização na competição pode até reduzir o desgaste perante os torcedores caso Stabile decida não renovar o contrato.
Posição do estafe e do técnico
Por outro lado, o estafe de Memphis relata que o jogador, mesmo de férias na Espanha, tem treinado sob acompanhamento de preparador físico e garante que um recondicionamento físico não seria necessário no retorno ao Brasil. Ele estaria à disposição do técnico Fernando Diniz. O treinador é um dos entusiastas da continuidade de Memphis, com quem se deu bem desde a chegada ao Corinthians. Ele já defendeu a renovação em público mais de uma vez.
A manutenção do elenco é uma pedida de Diniz, já que o Corinthians está proibido de contratar. E a renovação com Memphis se encaixaria nesse plano. O executivo de futebol Marcelo Paz é outro personagem importante, pois conseguiu restabelecer o elo, antes desgastado, do Corinthians com o estafe de Memphis. Internamente, Paz trabalhou para, além de reconstruir a relação com Memphis e seu estafe, abastecer o presidente com informações e dados técnicos sobre a renovação.
Decisão final
Superadas as negociações, a palavra final cabe a Stabile, tendo o aspecto financeiro como norteador maior neste momento de profunda crise. Espera-se, de todos os lados, um desfecho breve, mas ninguém se arrisca a apostar qual será a decisão do presidente corintiano.



