A história de amor entre Lionel Messi e a Copa do Mundo completa 20 anos. Messi e a Copa do Mundo jogam juntos há duas décadas. É uma história longa, linda e rara, contada pelo repórter Pedro Bassan.
O início de tudo
Uma ajeitada no calção e uns toquinhos na camisa para disfarçar o nervosismo. Sim, ele é humano, embora às vezes seja difícil acreditar. Lionel Messi saiu do banco aos 18 anos para estrear em uma Copa. Quando pisou em campo, as mãos de Deus se abriram e abençoaram uma das joias da criação. Apenas 13 minutos depois, a jovem promessa virou realidade. Foi na Alemanha, em 2006. Faz tanto tempo que o país adversário nem existe mais: Sérvia e Montenegro, que na época estavam unidos e levaram, juntos, o primeiro gol de Messi em Copas do Mundo.
A evolução do craque
A torcida já sonhava com uma cena que demorou a se realizar. Ou melhor, foi se realizando aos poucos, enquanto Messi amadurecia e aprendia o caminho. Em 2010, já era o melhor do mundo, mas não marcou nenhum gol na África do Sul. Chegou à terceira Copa, eleito quatro vezes melhor do mundo, pronto para brilhar no palco mais importante, o Maracanã. Onde foi vaiado e, um minuto depois, consagrado na vitória contra a Bósnia. No Mineirão, foi decisivo nos últimos instantes para derrotar o Irã, criando a rotina de estampar nos goleiros aquela cara de “levei um gol do Messi”. Dois gols contra a Nigéria no Beira-Rio, quase opostos: força e garra, frieza e talento.
O amadurecimento
Em 2018, quarta Copa, surge na Rússia um barbado senhor. E mais importante do que o único gol, contra a Nigéria, foi uma espécie de sinal: passado e presente conversando sem se falar. Nem todo mundo entendeu. E quando, aos 35 anos, Messi chegou ao Catar, alguns diziam que já estava velho demais. No máximo teria uma última chance de levantar o troféu. Pois, na quinta Copa, ele pareceu somar a experiência e o talento das outras quatro e chegou à perfeição. Fez gols em quase todos os jogos – foram sete. Dois na final, nenhuma obra de arte. O artista que já havia encantado o mundo de todas as formas só queria ganhar e tirar o peso do mundo que carregava nos ombros. Sim, ele é humano. Sim, ele queria mais.
Recordes e mais recordes
Nos Estados Unidos, Messi é até nome de rua. Não precisa provar mais nada para ninguém, bastaria estar presente para fazer história e se tornar o primeiro jogador a entrar em campo em seis edições da Copa do Mundo. Entrou contra a Argélia e foi batendo recordes em sequência: 1 a 0 e ele igualou Cristiano Ronaldo, fazendo gols em cinco Copas; 2 a 0: 200 jogos pela Argentina e ele não vai parar; 3 a 0, igualando o alemão Klose como o maior artilheiro em Copas – 16 gols no dia 16 de junho, exatamente 20 anos depois daquele primeiro gol. Os especialistas podem notar diferenças, mas o que vemos é a mente de um gênio comandando o corpo, que responde com a mesma agilidade de 20 anos atrás. Messi desafia os efeitos do tempo sobre o corpo humano, em um fenômeno que vai além do futebol.



