Irã enfrenta dificuldades para deixar EUA após estreia na Copa
Irã enfrenta dificuldades para deixar EUA após estreia na Copa

Delegação do Irã tem dificuldades para deixar os EUA após estreia na Copa

Poucos dias após o início da Copa do Mundo, a seleção de futebol do Irã tem enfrentado uma série de dificuldades para disputar o torneio nos Estados Unidos. Entre os principais entraves estão problemas nos vistos da delegação, ingressos para torcedores revogados e uma logística complexa antes e depois de cada jogo. Essa realidade decorre de uma politização da presença dos iranianos no torneio por conta da guerra entre os EUA e o Irã. O conflito teve um acordo de paz assinado entre os dois países no início da semana, porém as tensões permanecem.

Entrar e sair dos EUA a cada partida

Os perrengues da seleção iraniana ficaram mais evidentes com a estreia na Copa, em empate por 2 a 2 contra a Nova Zelândia em Los Angeles. A equipe precisou deixar os EUA ainda na madrugada de segunda-feira (15), poucas horas após a partida, por determinação do governo Trump — porém enfrentou dificuldades por conta de problemas nos vistos de alguns membros da delegação. O tratamento diferente dispensado aos iranianos gerou um desabafo do técnico Amir Ghalenoei diretamente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante uma rara visita do dirigente ao vestiário da seleção após o jogo. Ghalenoei disse que a equipe está sofrendo uma "injustiça" e uma "falta de humanidade" do país anfitrião.

"Nós fomos o time mais agredido na Copa do Mundo, por causa das condições e do efeito que criaram para nós, e isso foi uma injustiça. (...) Não sabemos por que eles estão nos mandando de volta [para o México], nós precisamos nos recuperar após o jogo, mas eles nos forçaram a entrar no avião e voltar", disse Ghalenoei. Os jogadores iranianos receberam vistos para disputar a Copa apenas uma semana antes do início do torneio, e a delegação só pode entrar nos EUA 36 horas antes de cada partida e precisa deixar o país imediatamente após cada jogo. A seleção inicialmente ficaria em Tucson, no Arizona, porém precisou mudar sua base para Tijuana, no México.

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Torcedores do Irã tiveram ingressos vetados

A Federação de Futebol do Irã (FFIRI) denunciou que sua cota de ingressos para a competição foi retirada pelos EUA apenas dois dias antes do começo da Copa, em 9 de junho. Assim como os outros 47 participantes do torneio, o Irã tinha direito a uma cota de 8% dos ingressos de suas partidas para distribuir a seus torcedores. A decisão alienou a federação iraniana desse direito, e deixou os torcedores que já haviam feito planos de viagem impossibilitados de assistir às partidas da seleção iraniana. "Isso acontece apesar do fato de que muitos torcedores iranianos, confiando no processo oficialmente anunciado, já haviam feito os planos necessários para comparecer aos jogos", disse a FFIRI em comunicado. Com isso, apenas a presença de torcedores iranianos nos jogos se limitou aos que já se encontravam nos EUA. O país norte-americano abriga a maior comunidade de iranianos fora do Irã, com cerca de 630 mil pessoas. O governo de Donald Trump já havia proibido iranianos de entrar nos EUA durante a Copa. O mesmo ocorre com os cidadãos de Haiti, que também disputa o torneio de futebol.

Polêmicas na estreia

A estreia da seleção iraniana na Copa também foi cercada de outras polêmicas:

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  • Torcedores denunciaram que tiveram suas bandeiras confiscadas dentro do estádio;
  • Iranianos fizeram protestos contra o regime dos aiatolás do lado de fora do local do jogo;
  • O hino do Irã foi vaiado por parte do público quando foi tocado antes da partida;
  • No dia anterior à partida, o capitão Mehdi Taremi protestou com os jornalistas presentes em coletiva de imprensa por não ter recebido nenhuma pergunta sobre futebol, apenas sobre geopolítica.