A Copa do Mundo de 2026 em Miami já provoca impactos econômicos e sociais significativos, especialmente com a presença do atacante norueguês Erling Haaland. A cidade se prepara para receber Inglaterra x Noruega no sábado, e o comércio local comemora o movimento extra trazido pelo torneio em pleno verão, tradicionalmente a temporada de menor fluxo de turistas.
Comércio local impulsionado pela febre norueguesa
As vendas de produtos típicos da Noruega, como salmão defumado e camisas da seleção, dispararam nas lojas de Miami. Segundo a Câmara de Comércio da cidade, o aumento foi de 40% nas últimas duas semanas, impulsionado pela popularidade de Haaland. "Ele é um fenômeno global, e isso se reflete no consumo", afirma Maria Fernández, proprietária de uma loja de artigos esportivos em South Beach.
Em contrapartida, a demanda por itens brasileiros caiu drasticamente após a eliminação do Brasil nas quartas de final. "Os brasileiros estão desorientados", comenta Vinícius Carapeba, recifense que estava em Miami para assistir ao jogo do Brasil. Ele e sua tia, Alexandra Mello, se desfizeram dos ingressos para as quartas após a derrota. "Perdemos o rumo, não sabíamos mais o que fazer aqui", desabafa.
Turismo no verão ganha fôlego inesperado
O verão em Miami é conhecido pelo calor intenso e pela baixa temporada turística. No entanto, a Copa do Mundo inverteu essa lógica. Hotéis na região de Wynwood e Brickell registraram ocupação acima de 90% para o fim de semana do jogo. "Normalmente, julho é um mês fraco para nós, mas este ano estamos lotados", diz Carlos Mendes, gerente de um hotel na Ocean Drive.
O fenômeno se deve, em grande parte, à presença de Haaland, que atrai torcedores de todo o mundo. “Ele é o maior nome do futebol atual, e as pessoas vêm para vê-lo jogar, independentemente do time”, explica o jornalista esportivo americano Jim White.
Brasileiros 'à deriva' após eliminação
Para os brasileiros que viajaram a Miami especificamente para acompanhar a seleção, a eliminação precoce foi um baque. Muitos cancelaram reservas e tentaram vender ingressos para outros jogos. "A gente planejou tudo em torno do Brasil. Agora, não sabemos o que fazer", relata a turista paulista Juliana Costa, que estava no estádio Hard Rock para ver o jogo contra a Argentina.
O cenário contrasta com a euforia dos torcedores noruegueses, que lotam bares e restaurantes da cidade. "Estamos em festa, e Haaland é o rei", vibra o norueguês Lars Andersen, que viajou de Oslo para Miami.
Impacto econômico total ainda incerto
Especialistas estimam que a Copa do Mundo injetará cerca de US$ 500 milhões na economia de Miami, mas o efeito exato depende do desempenho das seleções. "Se a Noruega avançar, o comércio continuará aquecido. Se cair, o impacto pode ser menor", analisa a economista local Patrícia O'Neil.
Por enquanto, a cidade se prepara para o jogo de sábado, com expectativa de público recorde no Hard Rock Stadium. A segurança foi reforçada, e a prefeitura orienta os turistas a evitarem deslocamentos desnecessários nas horas próximas à partida.



