Copa 2026: polêmicas, preços, política e sustentabilidade no Mundial
Copa 2026: polêmicas, preços, política e sustentabilidade

A Copa do Mundo de futebol ainda não começou, mas já acumula polêmicas envolvendo o governo Trump, um dos países-sede ao lado de México e Canadá, e a Fifa, organizadora do torneio. A seguir, as principais controvérsias.

1. A Fifa não deveria ser politicamente neutra?

Nos meses que antecederam a Copa de 2026, a Fifa, sob a presidência de Gianni Infantino, demonstrou proximidade incomum com Donald Trump. Infantino participou do lançamento do Conselho de Paz de Trump usando um boné vermelho e entregou a Trump o Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio da Copa, premiação criada especialmente para a ocasião. Segundo os estatutos da entidade, a Fifa deveria ser politicamente neutra, mas Infantino vem interpretando seu papel de forma cada vez mais política, conectando a política esportiva internacional aos interesses estatais. As tensões aumentam pelo fato de os EUA estarem em conflito com o Irã, algo inédito entre país-sede e seleção participante.

2. Todos os torcedores não deveriam poder ver sua seleção jogar?

As regras de entrada nos EUA geram fortes críticas: devido ao endurecimento das regras de visto, torcedores de vários países participantes ficaram excluídos do torneio. Para Irã e Haiti, há proibição total de entrada para espectadores. Torcedores do Senegal e da Costa do Marfim também têm poucas chances de conseguir visto. O governo americano chegou a exigir depósito de até US$ 15 mil de visitantes de determinados países, medida retirada para muitos portadores de ingresso pouco antes do torneio. Além disso, a política migratória agressiva dos EUA e possíveis ações da ICE geram insegurança, com muitos torcedores preferindo não viajar por medo.

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3. Um ingresso deveria realmente poder custar US$ 690 mil?

A venda de ingressos para a Copa de 2026 é considerada extremamente comercializada. A Fifa introduziu o "preço dinâmico", fazendo os preços variarem conforme a demanda. Torcedores pagam valores diferentes por lugares idênticos. O ingresso mais barato para a final custava US$ 8.625, enquanto o último assento na primeira fila de um bloco de canto chegou a ser anunciado por US$ 690 mil. A Fifa também opera sua própria plataforma de revenda, lucrando com 30% de cada transação. Procuradorias-gerais de Nova Jersey e Nova York anunciaram investigações sobre a venda de ingressos.

4. Não deveriam jogar na Copa apenas as melhores seleções?

Pela primeira vez, a Copa de 2026 contará com 48 seleções, aumentando o número de partidas de 64 para 104. Especialistas e torcedores criticam a expansão, argumentando que pode prejudicar a qualidade técnica. A fase de grupos avançará 32 equipes, com a introdução de 16 avos de final, aumentando a carga física dos jogadores e os custos para torcedores. A expansão também oferece à Fifa novas oportunidades de receita, e observadores consideram a reforma politicamente motivada para fortalecer a base de poder de Infantino.

5. Torneio não deveria ser climaticamente sustentável?

A Fifa afirma defender sustentabilidade, mas a Copa de 2026 é criticada por seus impactos ambientais. Estudos estimam que o torneio gerará mais de nove milhões de toneladas de CO₂, principalmente devido às grandes distâncias entre cidades-sede. Muitos estádios ficam fora dos centros urbanos, com pouca conexão de transporte público. Os preços de transporte dispararam: um curto trajeto de trem até o MetLife Stadium chegou a US$ 150, recuando para US$ 98 após protestos. Estacionamentos custam entre US$ 75 e US$ 300. Críticos apontam contradição entre promessas climáticas e a estrutura do torneio.

6. Por que o Irã teve de mudar sua base para o México?

Em meio às tensões com os EUA, o governo americano protelou a concessão de vistos aos jogadores e comissão técnica iranianos. Trump tentou desencorajar a participação do Irã. Um alto enviado de Trump teria pedido à Fifa que substituísse o Irã pela Itália, sem sucesso. Diante da demora, o Irã negociou a mudança da base do Arizona para Tijuana, no México. Após a confirmação dos vistos para os jogadores, 14 membros da comissão tiveram o visto negado. O Irã jogará suas duas primeiras partidas na Califórnia e depois em Seattle.

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