A história dos carros temáticos de Copa do Mundo no Brasil começou em 1982, com o Gol Copa. A Volkswagen havia lançado o modelo há dois anos, e a Copa do Mundo da Espanha seria um bom impulso mercadológico. De acordo com a marca, foram 3 mil unidades produzidas, mas pouquíssimas sobreviveram mantendo níveis dignos de originalidade e conservação.
Anos 80 e 90: as primeiras séries especiais
Oito anos depois, foi a vez do Kadett Turim, homenagem da Chevrolet a uma das cidades que sediaram jogos do torneio realizado na Itália em 1990. Ou seja, em vez de Kadett Turim, poderia ter sido Kadett Milão, Nápoles, Bari, Verona, Florença, Cagliari, Bolonha, Údine, Palermo ou Gênova.
Já o Gol Copa de 1994, quando a competição foi nos EUA, não poderia ter sido mais oportuno, lançado justamente no ano do tetracampeonato da Seleção Brasileira. Alguns elementos da edição de 1982 foram mantidos, como os faróis auxiliares. Foram cerca de 6 mil exemplares.
No mesmo ano a Chevrolet veio com o Monza Club.
Anos 2000: a popularização das séries temáticas
Pela primeira vez, uma série se desdobrava em mais de um modelo – a combinação de verde, azul e amarelo da Champ vestiu Corsa, Corsa Pick-Up e S10 em 1998, com a Copa rolando na França.
Depois de 24 anos e três edições, o Gol Copa escolheu justamente a Alemanha para se despedir, em 2006. Aproximadamente 16 mil unidades foram feitas, que podiam ser equipadas com motor 1.0 ou 1.6.
Patrocínio à CBF e novas séries
A Volkswagen estreitou o relacionamento entre carro e futebol quando começou a patrocinar a Confederação Brasileira de Futebol em 2010, quando a África do Sul sediou o torneio. Para celebrar, lançou cerca de 3 mil exemplares do Gol Seleção.
É justamente a continuação da série Seleção – agora estendida a Fox e Voyage – que emoldurou o patrocínio à CBF em uma Copa do Mundo realizada no Brasil.
O curioso é que, no mesmo ano, a Hyundai apresentou o HB20 Copa do Mundo. Pintura exclusiva estava no cardápio do modelo, que trazia a Brazuca, a bola oficial do torneio, como brinde aos compradores do veículo.
E a Fiat também, o Uno Rua. Limitado a 2 mil unidades, tinha como um dos diferenciais estéticos os cintos de segurança tingidos de azul.
De repente, o patrocínio à CBF foi parar nas mãos da GM, que aproveitou o embalo da Volks e lançou, em 2015, o Onix Seleção, então o modelo mais vendido do mercado brasileiro. Outra que teve 3 mil unidades, calcula-se.
O segundo Hyundai HB20 Copa do Mundo, de 2018, quando a Copa foi na Rússia, talvez seja o mais discreto de todos. Mas pelo menos vinha com central multimídia equipada com TV digital.
Em 2019, a Fiat toma o patrocínio da CBF e lança o Argo Seleção. A grande sacada era não se tratar de uma homenagem à tradicional copa masculina, e sim à feminina, recebida naquele ano na França. Com 1.500 unidades produzidas, é uma das versões temáticas mais raras no mercado.
Em 2002, ano do pentacampeonato, foi a vez do Gol Sport, que teve mais de 15 mil unidades produzidas.
E dá-lhe Hyundai HB20 Copa do Mundo na Copa do Mundo do Qatar, em 2022, construindo uma relação cada vez mais longeva com o principal torneio de futebol do mundo. A bola da vez era a Al Rihla.
Na edição que começa nesta quinta-feira (11), o T-Cross Seleção é o novo convocado da Volkswagen para representar a marca no universo do futebol, como diz a montadora. Baseado na versão Sense, traz elementos das configurações Comfortline e Highline (como rodas de 17 polegadas e pedaleiras em alumínio) e menção aos cinco títulos do Brasil na soleira das portas.
Gol SR, o mais raro
Para turbinar as vendas de seus televisores durante a Copa do Mundo de 1986, realizada no México, a Philips decidiu sortear o carro mais óbvio quando se associa o universo automotivo ao futebolístico. “Quem compra aparelhos Philips garante o seu Gol no Mundial 86”, dizia o slogan da promoção que teve Jô Soares como garoto-propaganda.
Não era um Gol comum. Baseado na versão BX, aquela com motor a ar herdado do Fusca, recebia um kit estético criado pela Souza Ramos, a maior produtora de foras de série nacionais nos anos 1980 e 1990. Na condição de concessionária Ford, concentrava suas personalizações em modelos da marca – como o Del Rey conversível e o Maverick perua, por exemplo. O Volkswagen Gol SR era exceção.
Foram sorteados 53 exemplares do Gol SR na promoção da Philips. Se diferenciavam com faróis duplos, spoilers dianteiro e traseiro, faixas laterais e o símbolo da SR na grade frontal. Trata-se de uma versão raríssima, desconhecida até.
Neste momento, talvez o único remanescente dessa peculiar versão relacionada à Copa do Mundo está guardado em um galpão no Autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), que pertence a Eduardo Souza Ramos. Ao seu lado, outras relíquias com a assinatura da SR, como Ibiza, Deserter e Escort JPS.



