A história do Brasil nas Copas do Mundo é repleta de canções que marcaram vitórias e derrotas, desde marchinhas tradicionais até vinhetas de TV que conquistaram o público. É impossível não associar “Pra Frente Brasil” à Copa de 1970 ou “A Festa”, de Ivete Sangalo, ao pentacampeonato de 2002. Para 2026, ainda não há uma aposta de destaque, e os torcedores enfrentam o desafio de encontrar uma música que una a torcida nas arquibancadas.
O tricampeonato ao som de marchinhas
No bicampeonato de 1958 e 1962, a marchinha “A Taça do Mundo é Nossa” embalou a festa nas ruas. Sucesso até no Carnaval de 1959, tornou-se hino dos dois primeiros títulos. Já em 1970, “Pra Frente Brasil” foi a canção da conquista, criada durante a ditadura militar com letra ufanista que pedia união dos 90 milhões de brasileiros. Ambas foram compostas por publicitários: a primeira por Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô; a segunda por Miguel Gustavo.
Vinhetas e músicas que viraram trilha sonora
Desde a primeira Copa transmitida pela TV no Brasil, em 1970, o país tem como trilha sonora vinhetas e músicas. Em 1990, “Papa Essa Brasil”, de Michael Sullivan e Paulo Massadas, foi o tema. Já em 1994, a vinheta “Coração Verde e Amarelo” marcou o tetracampeonato, com o refrão: “Eu sei que vou, vou do jeito que eu sei / De gol em gol, com direito a replay / Eu sei que vou com o coração batendo a mil / É taça na raça, Brasil”. Em 1982, o lateral Júnior, também sambista, cantou “Povo Feliz”, cujo refrão dizia: “Voa, canarinho voa / Mostra pra esse povo que és um rei / Voa, canarinho voa / Mostra na Espanha o que eu já sei”. O maior sucesso talvez seja “A Festa”, de Ivete Sangalo, que embalou o pentacampeonato em 2002, sendo tocada nos jogos e no vestiário.
E nas arquibancadas?
Na Copa de 2026, mais de 30 representantes de torcidas organizadas viajarão aos EUA com a seleção, mas ainda buscam uma música que una o público. A aposta é “Brasil Ole, Ole, Ole”, de 2022, que não conquistou a massa. Diferente dos argentinos, que desde 2014 têm músicas de arquibancada marcantes, como a que zombava dos brasileiros com “Maradona és maior do que Pelé”. Sem uma nova marchinha ou vinheta de sucesso, talvez seja hora de o Brasil criar seu próprio hino de arquibancada.



