Árbitro australiano nega gesto neonazista e alega espasmo
Árbitro nega gesto neonazista e alega espasmo involuntário

O árbitro australiano Shaun Evans, que apareceu durante a transmissão de Alemanha x Curaçao fazendo um gesto atribuído a movimentos supremacistas, disse que o sinal se tratou de um espasmo involuntário. A justificativa foi emitida via comunicado de Evans enviado pela Fifa ao Estadão. A entidade ainda vai se pronunciar oficialmente por meio do Comitê Disciplinar, que analisa a situação.

Entenda o caso

Antes da partida que terminou com goleada da seleção alemã, o australiano Shaun Evans fez o gesto do “OK” invertido, designado como símbolo de ódio racial desde 2019. O gesto, como um sinal de “OK”, junta o polegar e indicador juntos, mas com a mão para baixo, num formato que indicaria as letras “WP” (White Power). O sinal foi adicionado pela ONG Liga Antidifamação (ADL) em uma lista de símbolos de ódio em 2019.

Defesa de Evans

“A única explicação que posso dar é que o movimento foi involuntário, um espasmo, e que eu não tive noção que o fiz”, escreveu Evans. “Imagens durante a partida mostraram que eu repeti o movimento muitas vezes enquanto segurava uma caneta entre meus dedos”. Evans criticou a cobertura sobre o caso, dizendo que isso não reflete quem ele é. “Eu entendo como o gesto pode ser interpretado e sinto muito por isso. Mas quero deixar claro que não o fiz deliberadamente”, continuou. “Atuar na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira, e eu quero continuar ajudando meus colegas no restante do torneio”, concluiu.

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Carreira de Shaun Evans

Shaun Evans tem 38 anos e é árbitro da Fifa desde 2017. Desde 2008, Evans integra o painel de árbitros da A-League, divisão principal da Austrália. Entre 2012 e 2013, ele se tornou assistente e, em seguida, juiz principal. Apenas em 2016 o profissional foi efetivado como árbitro de tempo integral. Até então, ele dividia o apito com a ocupação de pedreiro.

Declaração completa de Shaun Evans

“Gostaria de esclarecer que não fiz nenhum gesto ou símbolo com a mão intencionalmente para comunicar uma mensagem, afiliação, jogo ou crença de qualquer tipo. A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente, e eu não tinha consciência de tê-lo feito naquele momento. Imagens capturadas posteriormente durante a partida mostraram que repeti esse movimento diversas vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos. A cobertura jornalística após este incidente simplesmente não reflete quem eu sou. É claro que entendo como o gesto foi interpretado e lamento isso, porém quero deixar bem claro e afirmar categoricamente que não fiz o gesto com a mão sugerido de forma consciente ou deliberada. Atuar como árbitro na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira e estou ansioso para apoiar meus colegas durante o restante do torneio.”

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