Há exatos 40 anos, no dia 21 de junho de 1986, o Brasil enfrentava a França nas quartas de final da Copa do Mundo no México. O jogo terminou empatado em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, levando a decisão para os pênaltis. Foi nesse contexto que Zico, o camisa 10 da seleção, viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira: a cobrança de um pênalti que poderia ter mudado o rumo da partida.
O pênalti perdido e a responsabilidade
Zico, que na época já era um dos maiores ídolos do futebol brasileiro, assumiu a responsabilidade de cobrar o pênalti. Em declarações recentes, ele relembrou o episódio: “Se não bato, e outro perde, iam me chamar de covarde”. A frase reflete a pressão que sentia, mas também a convicção de que, mesmo fora de forma devido a uma lesão, era sua obrigação como líder do time.
O pênalti foi defendido pelo goleiro francês Joël Bats, e o Brasil acabou eliminado nos pênaltis por 4 a 3. Zico, que entrou no segundo tempo, não conseguiu evitar a eliminação. Em entrevistas posteriores, ele afirmou: “Eu estava fora de forma, mas tinha que bater. O Telê [Santana] confiava em mim”.
Impacto na carreira e comparação com 1982
Para Zico, a derrota de 1982 para a Itália foi mais dolorosa, mas o pênalti de 1986 deixou uma marca duradoura. “Em 1982, fomos eliminados por uma grande seleção. Em 1986, tive a chance de decidir e não consegui. Isso fica para sempre”, disse o ex-jogador em uma reflexão recente.
O erro nos pênaltis não abalou sua reputação, mas tornou-se um dos episódios mais lembrados de sua trajetória. Zico defende sua escolha: “Não me arrependo de ter batido. Era minha responsabilidade. Se outro perdesse, a cobrança seria maior”.
O legado de Zico e a seleção de 1986
A campanha do Brasil na Copa de 1986 foi marcada por altos e baixos. A equipe de Telê Santana chegou como favorita, mas enfrentou dificuldades. Zico, que se recuperava de lesão, não estava em sua melhor forma física, mas ainda assim era a referência técnica.
O pênalti perdido contra a França é um dos momentos mais emblemáticos da história das Copas. Quarenta anos depois, Zico continua sendo lembrado não apenas pelo erro, mas pela coragem de assumir a responsabilidade. “Futebol é assim: momentos de glória e de frustração. O importante é ter a consciência de que dei o meu melhor”, concluiu.



