O radialista Carlos Alberto Alves, de 80 anos, natural de Manaus e morador de Boa Vista desde 1967, acompanhou todos os cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira em Copas do Mundo. Para viver essas conquistas no extremo norte do país, ele precisou de rádio, fitas cassete e até uma antena de alumínio improvisada.
Rádio e fitas cassete: as primeiras Copas
Em 1958 e 1962, ainda adolescente no Amazonas, Carlos Alberto ouviu as vitórias do Brasil pelo rádio. "O jogo passava hoje, no outro dia o avião trazia o videoteipe e à noite a gente assistia. Se o avião atrasava, demorava dois dias para assistir", relembra. Em 1970, já em Roraima, ele acompanhou parte dos jogos por videoteipe e parte por um sinal de TV improvisado com antena de alumínio. Em 1994, trabalhou na cobertura pelo rádio, gravando a festa dos torcedores em fitas cassete para simular transmissão ao vivo. "Corríamos lá com gravador, gravávamos as pessoas, voltávamos pro estúdio com a fita cassete e colocávamos o áudio. O locutor dizia que estava falando direto da praça. Aquilo criava um clima tão legal", conta. Só em 2002 pôde ver o quinto título ao vivo pela televisão a cores.
Gambiarra para ver o tri em 1970
Na Copa de 1970, o sinal de televisão ao vivo ainda não existia em Boa Vista. A solução surgiu de um pedido do então governador Hélio Campos ao pioneiro das telecomunicações em Roraima, Domingos Leitão. De acordo com o jornalista Francisco Cândido, Leitão construiu e instalou uma antena de alumínio na própria casa, sintonizando canais da Venezuela, Colômbia e Guiana. Para ouvir a narração em português, colocou um rádio embaixo da mesa da televisão na frequência da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. A casa lotou de vizinhos com banquinhos de madeira para acompanhar os jogos, e entre eles estava Carlos Alberto Alves.
Encontro com a Seleção de 70 e João Saldanha
Em abril de 1970, Carlos Alberto viajou a Manaus com uma comitiva da imprensa roraimense para cobrir um amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção Amazonense, antes do embarque para a Copa no México. Ele ficou na beira do gramado no estádio Vivaldão e viu craques como Pelé, Tostão, Clodoaldo, Rivelino e Jairzinho. "Não tínhamos autorização para ter acesso a eles, mas estávamos ali próximos", afirma. Aquele time viria a ser a "Seleção do Tri". O técnico Zagallo já comandava a equipe devido à demissão de João Saldanha, que recusou a ordem do presidente Emílio Médici para convocar Dadá Maravilha. O encontro de Carlos Alberto com Saldanha ocorreu apenas em 1978, quando Saldanha viajou a Boa Vista pela Rádio Globo para cobrir um amistoso do Flamengo contra a seleção roraimense. Antes do jogo, o radialista entrevistou Saldanha em frente a um hotel, momento registrado em foto.
Carlos Alberto viu grandes ídolos como Pelé, Garrincha, Zagallo, Romário e Ronaldo, e hoje acompanha a nova geração, como Vini Jr. Entre as Copas mais marcantes está a de 1970, quando assistiu pela primeira vez à seleção brasileira e ainda cobriu um amistoso que entrou para a história. "Todos temos que fazer nossa parte para comemorar as vitórias que com certeza virão", diz o radialista.



