A abertura da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, marcada para 11 de junho, expõe mais uma vez os desafios da profissionalização da gestão do futebol brasileiro. Enquanto o torneio será sediado em três países — EUA, Canadá e México — com infraestrutura moderna e gestão financeira rigorosa, o Brasil sofre com um ambiente propício à irresponsabilidade financeira, cuja solução passa pela adoção de regras de fair play financeiro.
O contraste entre as sedes
A Copa de 2026 terá 48 seleções e 104 partidas, um recorde. Os estádios americanos, como o MetLife Stadium em Nova Jersey e o SoFi Stadium na Califórnia, são exemplos de gestão eficiente e sustentável. No Brasil, por outro lado, clubes acumulam dívidas bilionárias e dependem de receitas incertas. Segundo dados da consultoria Pluri, as dívidas dos clubes brasileiros somam mais de R$ 11 bilhões.
O fair play financeiro como solução
Especialistas apontam que a implementação de regras de fair play financeiro, como as da UEFA, poderia conter os gastos excessivos. "O futebol brasileiro precisa de mecanismos que obriguem os clubes a equilibrar suas contas", afirmou o economista Cesar Grafietti, em entrevista ao jornal O Globo. A CBF já estuda medidas nesse sentido, mas enfrenta resistência de dirigentes.
Impacto no desempenho esportivo
A falta de profissionalização também afeta o desempenho em campo. O Brasil não vence uma Copa desde 2002, e a última participação em 2022 terminou nas quartas de final. Enquanto isso, seleções com gestão mais profissional, como França e Inglaterra, avançam. "Não adianta ter talento se a gestão é amadora", disse o ex-jogador e comentarista Júnior.
O caminho para a mudança
A Copa de 2026 pode servir de alerta. Com a proximidade do torneio, a pressão por reformas aumenta. A expectativa é que, até lá, o Brasil avance na criação de um órgão regulador independente e na adoção de regras de transparência financeira. "O fair play não é apenas uma questão de ética, mas de sobrevivência do futebol brasileiro", conclui Grafietti.



