Doze meses após um fim de semana desastroso em Spa-Francorchamps, Kimi Antonelli transformou a dor em glória. No último domingo, o piloto da Mercedes venceu o GP da Bélgica com autoridade, assumindo a liderança do campeonato com 45 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton, vice-líder. A vitória, a sexta na temporada, também o igualou a Riccardo Patrese como o segundo italiano com mais triunfos na história da Fórmula 1.
Da lágrima ao topo: a reviravolta de Antonelli
Em julho de 2025, Antonelli chegou a Spa sob forte pressão. O então calouro de 18 anos vinha de uma sequência de incidentes, incluindo a retirada de Max Verstappen no GP da Áustria. Na sexta-feira, rodou na classificação sprint; no sábado, chorou após um 18º lugar no grid. Terminou a prova sem pontuar. Na ocasião, Lewis Hamilton visitou o motorhome da Mercedes para apoiá-lo, dizendo à imprensa que o jovem fazia "um ótimo trabalho" e que aquela era apenas uma "fase ruim".
Após as férias de verão, Antonelli voltou a figurar no top 10 com frequência, conquistou dois pódios (segundo lugar no GP de São Paulo e na sprint, e terceiro em Las Vegas) e fechou 2025 em sexto no Mundial. Em 2026, já mais maduro, estreou com segundo lugar na Austrália, atrás de George Russell, mas rapidamente tomou a dianteira da equipe.
Mentalidade de campeão, segundo Wolff
O chefe da Mercedes, Toto Wolff, destacou a evolução mental do piloto. "Quando acontece algo, ele aborda de forma serena. Qual é o problema? Como resolvemos? Como seguimos em frente? E isso é novo", afirmou Wolff. "É por isso que, quando ele vence, você não vê aquela empolgação absoluta que um jovem de 19 anos teria. Ele consegue colocar suas ideias em prática. Em Barcelona, quando o carro parou, e em Silverstone, ele voltou aos boxes e disse à equipe: 'Este é um problema mecânico, isso vai acontecer'. Essa mentalidade é um dos principais fatores que permitiram que o talento dele brilhasse tão cedo."
Domínio sobre Russell e vantagem no campeonato
Antonelli soma seis vitórias contra duas de Russell na temporada. O britânico, mais experiente, teve dificuldades para explicar a queda de rendimento e, após a corrida na Bélgica, pediu à Mercedes um carro igual ao do companheiro. Com 45 pontos de vantagem e apenas o GP da Hungria antes das férias, Antonelli garantiu a liderança para o intervalo. Hamilton, mesmo vencendo na Hungria, não alcançaria o italiano. A pausa termina em 23 de agosto, com o GP da Holanda.



