Schweinsteiger nega racismo após chamar jogo da Costa do Marfim de 'selvagem'
Schweinsteiger nega racismo por comentário sobre Costa do Marfim

Bastian Schweinsteiger, tetracampeão mundial pela Alemanha em 2014 e atual comentarista da emissora alemã ARD, defendeu-se nesta quinta-feira das acusações de racismo após um comentário sobre a seleção da Costa do Marfim durante a Copa do Mundo de 2026. O ex-jogador descreveu o estilo de jogo marfinense como 'selvagem' e 'pouco ortodoxo', o que gerou forte repercussão negativa no país e no exterior.

O comentário polêmico

Durante a transmissão de uma partida da Costa do Marfim na Copa do Mundo, Schweinsteiger afirmou que o time africano apresentava um futebol 'selvagem' e 'pouco ortodoxo', termos que foram interpretados por muitos como carregados de estereótipos raciais. A declaração rapidamente viralizou nas redes sociais, com críticas de torcedores, jornalistas e entidades antirracismo.

Defesa do ex-jogador

Em entrevista coletiva, Schweinsteiger afirmou: 'Falei de futebol, exclusivamente de futebol. Minha análise foi puramente tática, sobre o estilo de jogo da equipe, sem qualquer conotação racial. Lamento que minhas palavras tenham sido mal interpretadas.' Ele ainda reforçou que tem 'respeito e admiração' pelo futebol africano e que jamais faria um comentário racista.

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A ARD, emissora para a qual Schweinsteiger trabalha como comentarista, emitiu nota de apoio ao ex-jogador. O coordenador de esportes da emissora, Axel Balkausky, declarou: 'Conhecemos Bastian há anos e sabemos que ele não é racista. Sua análise foi técnica, e acreditamos em sua palavra.'

Reação do técnico marfinense

Por outro lado, o técnico da Costa do Marfim, Émerse Faé, criticou duramente a fala. 'Palavras como 'selvagem' têm um histórico de serem usadas para desumanizar jogadores africanos. Não acredito que tenha sido malicioso, mas é preciso mais cuidado. O futebol marfinense é técnico, organizado e competitivo. Reduzi-lo a 'selvageria' é um desserviço', afirmou Faé.

Contexto e repercussão

O episódio ocorre em meio a um debate mais amplo sobre racismo no futebol europeu. Nos últimos anos, diversos comentaristas e ex-jogadores foram criticados por usar linguagem estereotipada ao se referir a seleções africanas. A Costa do Marfim, que tem se destacado em Copas do Mundo, inclusive com uma geração de jogadores atuando nas principais ligas europeias, viu o episódio como mais um exemplo de preconceito velado.

Nas redes sociais, a hashtag #RespeitoPelaCostaDoMarfim chegou aos trending topics, com milhares de usuários pedindo desculpas formais. Até o momento, Schweinsteiger não se pronunciou novamente, mas a ARD afirmou que o assunto será discutido internamente para evitar futuros mal-entendidos.

Impacto na carreira de comentarista

Schweinsteiger, que construiu uma carreira sólida como comentarista após se aposentar dos gramados, pode ver sua imagem arranhada pelo episódio. Especialistas em mídia esportiva apontam que, embora a defesa da emissora tenha sido imediata, a polêmica pode afetar sua credibilidade, especialmente em um momento em que a luta antirracista ganha força no esporte.

A Copa do Mundo de 2026, que ocorre nos Estados Unidos, Canadá e México, tem sido palco de debates sobre representatividade e inclusão. O incidente com Schweinsteiger reforça a necessidade de um vocabulário mais cuidadoso por parte de comentaristas e ex-jogadores que atuam na mídia.

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