A cubana naturalizada turca Melissa Vargas foi o grande obstáculo para a seleção brasileira feminina de vôlei na final da Liga das Nações (VNL) de 2026, disputada neste domingo (26), em Macau, na China. Com 33 pontos, Vargas liderou a Turquia à vitória por 3 sets a 1 (parciais de 23/25, 25/23, 26/24 e 25/21) e foi eleita a melhor jogadora da competição, garantindo a medalha de ouro e o bicampeonato da VNL.
O domínio de Vargas na partida decisiva
A oposta de 1,94m não deu chances à defesa brasileira. Segundo dados da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Vargas acertou um saque a 104 km/h que resultou em ace no quarto set, um dos momentos mais impactantes da partida. O técnico José Roberto Guimarães, da seleção brasileira, comentou após o jogo: "As ponteiras da Turquia jogaram muito bem. Conseguiram virar bolas e ajudar a Vargas nos momentos de desafogo. A Vargas fez 33 pontos e, somados aos 21 pontos das ponteiras, ali esteve o grande problema do jogo para nós."
O Brasil, que havia eliminado a favorita Itália na semifinal, não conseguiu repetir o desempenho. A equipe comandada por Zé Roberto chegou a vencer o primeiro set, mas cedeu a virada nos parciais seguintes. Foi o quinto vice-campeonato da seleção brasileira em finais de VNL feminina, um recorde amargo.
A trajetória de Melissa Vargas: de Cuba à Turquia
Melissa Teresa Vargas Abreu nasceu em 16 de outubro de 1999, em Cienfuegos, Cuba. Aos 13 anos, com 1,86m, foi convocada pela primeira vez para a seleção cubana adulta pelo técnico Juan Carlos Gala, que buscava renovação para os Jogos Olímpicos do Rio 2016. Vargas tornou-se a mais jovem atleta a integrar a equipe principal de Cuba.
Seu pai, Antonio, ex-jogador de softball e basquete, declarou: "Minha filha sempre gostou do esporte e com 11 anos integrou a seleção cubana sub-15, ganhando vários prêmios individuais." Vargas era vista como a sucessora de Mireya Luis e Yumika Ruiz, ícones do vôlei cubano.
Em 2013, ainda com a camisa de Cuba, enfrentou o Brasil pelo Grand Prix no Cazaquistão. Na ocasião, Zé Roberto já a elogiava: "Ela atuou na ponta e também como oposta. Realmente, impressiona positivamente." Treze anos depois, o técnico brasileiro voltou a destacar a força da jogadora.
A naturalização e o estrelato na Turquia
Após deixar Cuba em 2015, Vargas jogou na República Tcheca e, em 2017, enfrentou uma suspensão de quatro anos imposta pelo governo cubano após um litígio com a federação local. Isso a levou a buscar a naturalização. Em 2018, assinou com o Fenerbahçe e, em 2021, recebeu a cidadania turca do primeiro-ministro Recep Erdogan. Após cumprir o período de carência de dois anos exigido pela FIVB, passou a defender a Turquia.
Desde então, Vargas levou a seleção turca a novos patamares: venceu a VNL em 2023 e o Campeonato Europeu, sendo eleita a melhor jogadora em ambas as competições. A capitã turca, Eda Erdem, afirmou: "Ela não é apenas uma grande jogadora, mas também uma excelente pessoa. Ela mudou o clima do time e é uma lutadora incrível em quadra. Nós a amamos, nós a abraçamos desde o primeiro dia e mostramos que ela é uma de nós."
O futuro: rumo a Los Angeles 2028
Com o bicampeonato da VNL, Vargas e a Turquia miram os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Em Paris 2024, a equipe turca perdeu a medalha de bronze para o Brasil, mas Vargas foi a maior pontuadora com 26 pontos, atrás apenas de Gabi Guimarães. A oposta, que não pôde disputar a Olimpíada de Tóquio por conta da naturalização, agora vê cada vez mais próxima a chance de conquistar uma medalha olímpica para a Turquia.



