Dan Stulbach, ator de 56 anos, não para quieto. Nem mesmo os exercícios de pilates, que exigem imobilidade, conseguem conter sua energia. Em ensaio fotográfico exclusivo para a Canal Extra, ele brincou com posições de 'pilateiro', mas confessa que o que realmente ama é o movimento. Seja malhando, praticando pilates ou indo aos jogos do Corinthians, seu time do coração, Stulbach está sempre em ação. Durante a entrevista, ele não resistiu a acompanhar os lances da partida entre Argentina e Egito na Copa do Mundo.
Ademir será a primeira vítima da vingança de Adriana
Na novela 'Quem ama cuida', Stulbach vive o advogado inescrupuloso Ademir, que só vai de casa para o trabalho e do trabalho para casa, driblando as brechas da lei para vencer suas causas. Agora, ele colherá a ira da protagonista Adriana, interpretada por Leticia Colin. Ademir será a primeira vítima da vingança da fisioterapeuta, que fará um discurso público questionando os limites da ética. 'Que seja uma grande cena! Ademir acredita que os fins justificam os meios. Como cidadão, eu gostaria que tudo fosse diferente, que esses caminhos não existissem', afirma Stulbach.
Relação com o filho Pedro e a vida real
O ator também comenta a relação conflituosa de Ademir com o filho Pedro (Chay Suede), um advogado honesto. 'É bonito a gente ver um filho lutando por aquilo em que acredita. Seria lindo ter um filho assim. Na trama, é um confronto muito forte, não só do pai com o filho, mas da pessoa mais experiente com a que tem menos bagagem', diz. Na vida real, Stulbach é pai de Anita, 15 anos, e Davi, 13, com a documentarista Heloísa Becker Albertani, com quem é casado há 17 anos. 'Estou aprendendo a ser presente, mas não intrusivo. Minha filha gosta de teatro musical e canta muito bem, já eu não sou do teatro musical (risos). Meu filho agora está na idade que, se eu falar algo, ele diz o contrário. O quanto devo impor limites, dar a própria opinião? Esse equilíbrio você vai aprendendo com o tempo', reflete.
Família longe dos holofotes e planos em Portugal
Stulbach decidiu manter a família longe da exposição midiática. 'Quanto mais as pessoas sabem de você, mais difícil fica de elas acreditarem no seu personagem. Entendo toda a curiosidade do público, mas... Não exponho meus filhos. Eles não escolheram o que eu escolhi. Paga-se um preço muito alto quando se abre a vida toda', explica. Após o fim da novela, previsto para janeiro, ele e a família passarão uma curta temporada em Portugal para Davi treinar handebol. 'Ele é muito forte para a idade dele. Foi convidado para jogar no exterior. Não tem encanações de profissão ainda, e eu acho ótimo. Agora está na fase de pesquisar perfumes, começando a descobrir o mundo', destaca.
Paternidade e conflitos com o próprio pai
Com a paternidade, o artista descobriu que ser pai vai além do financeiro. 'Quero que Anita e Davi descubram quem eles são. Um pai pode estimular os sonhos dos filhos. Este é um papel bonito. Eu falava para o meu pai: “Quero tocar violão!”. E ele: “Pra quê? Não fala bobagem”. E mudava de assunto', relembra. Stulbach é filho de poloneses que fugiram da Segunda Guerra Mundial. Os parentes por parte da mãe, Ewa, foram fuzilados, e a família judia do pai teve que ficar escondida no sótão de uma fábrica na Polônia por cerca de dois anos. Muitos detalhes foram ocultados por Josef, seu pai. 'Queria ter sabido mais. É natural que ele tenha me escondido. Chegou a me dizer algumas coisas sem querer quando estava doente no hospital. Falava comigo sem entender que eu era o filho dele. Talvez só por isso tenha contado', imagina.
Luto pela mãe e spoiler da novela
Recentemente, Stulbach perdeu a mãe, Ewa, que morreu no início deste ano após uma infecção no pulmão. 'Foi muito duro. Durante o ensaio fotográfico, olhei a minha foto. E sabe a primeira coisa que eu pensei? “Minha mãe ia adorar”. Tenho feito um trabalho com tanta repercussão, e ela não está presente. Seria a pessoa mais feliz nesse momento. Torcia por mim incondicionalmente. Às vezes, eu não me dava conta disso. Mas a gente era muito ligado', relata, emocionado. Por fim, o ator adianta que Ademir passará por uma acusação de assédio. 'Então voltarei a abordar a questão da mulher no Brasil. Quando fiz o Marcos (em 'Mulheres apaixonadas', 2003), a gente achava que essa situação ia melhorar muito. Hoje, a gente vê que está longe de ser resolvida', conclui.



