Lenine apresentou o show 'Eita' no Tokyo Marine Hall, em São Paulo, no sábado, 30 de maio de 2026. A apresentação, que já havia estreado em Fortaleza, marca o retorno do artista aos palcos após um período difícil. O cantor, emocionado com a recepção do público, conduziu um roteiro inteiramente autoral, com 31 músicas que transitam entre a delicadeza do afeto e a firmeza da ideologia.
Um show de emoção e musicalidade
A abertura foi com 'Aos domingos' (2025), tocada enquanto os músicos Bruno Giorgi (baixo), Gabriel Ventura (guitarra), Henrique Albino (sopros), Negadeza (percussão) e Pantico Rocha (bateria) se posicionavam. A primeira canção com Lenine no palco, 'Confia em mim' (2025), já mostrou a força do violão percussivo. Em seguida, 'Eu sou meu guia' (1999) ganhou um arranjo psicodélico, evidenciando a direção musical de Bruno Giorgi.
Influências nordestinas e identidade sonora
A origem pernambucana de Lenine ecoou em 'Ciranda praieira' (2008), no maracatu 'O rumo do fogo' (2025) e na flauta de 'Meu xamego' (2025). O artista, que completa 57 anos, mostrou como sua música é marcada pela identidade autoral. Não houve espaço para composições alheias, exceto a citação de 'Chiclete com banana' em 'Jack soul brasileiro'.
Momentos de intimidade e política
No bloco de voz e violão, Lenine apresentou baladas como 'Paciência' (1999) e 'É o que me interessa' (2008). 'Foto de família' (2025), canção lírica do álbum 'Eita', teve sua grandeza um pouco atenuada nesse contexto. O discurso político foi reforçado em sequência de músicas como 'Envergo, mas não quebro' (2011) e 'Rua da passagem' (1999). Com humor, o cantor destacou que todos os músicos da banda estão alinhados politicamente.
Bis e encerramento
No bis, 'Beira' (2025) foi executada apenas com voz e guitarra, seguida por 'O homem dos olhos de raio x' (2000) e o hit 'Hoje eu quero sair só' (1995). O show encerrou com a plateia pedindo mais, consolidando a volta triunfal de Lenine aos palcos.



