Recordistas de apresentações na Festa do Peão de Americana, Chitãozinho e Xororó abriram a 38ª edição do evento na noite desta quarta-feira (3) com um show que emocionou o público presente. A dupla, que já se sente em casa no festival, tratou de demonstrar essa intimidade logo no início da apresentação, recebendo duas fãs em uma mesa posta no palco para um café especial.
Momento especial no palco
O café da manhã improvisado foi um momento dedicado "para quem veio da roça", como definiram os artistas. Chitãozinho assumiu o papel de anfitrião e avisou: "Tá sem açúcar, tá?". As sortudas fãs permaneceram na mesa enquanto a dupla revisitava sucessos antigos como "Fogão de Lenha", "Coração Sertanejo" e "Majestade o Sabiá". "A gente sai da roça, mas a roça não sai da gente", declarou Xororó. O momento foi encerrado com o clássico "Vai pro Inferno com Seu Amor".
Sequência de sucessos
A dupla subiu ao palco com uma sequência de tirar o fôlego. "Sinônimos", originalmente em parceria com Zé Ramalho, fez a arena cantar em alto e bom som. "Página de Amigos" e "Telefone Mudo" não deixaram ninguém parado. A energia do público foi contagiante do início ao fim.
Inovações no sertanejo
Xororó destacou a busca constante da dupla por inovações no gênero sertanejo ao apresentar a versão em espanhol de "Malagueña". "A gente adora cantar essa canção. Especialmente para vocês", disse. Um dos momentos mais aguardados foi quando o público puxou o agudo em "Galopeira" antes de Xororó, que brincou: "Agora é aquela hora que as pessoas adoram fazer o agudo pra ficar zoando os amigos nas redes sociais". Com a iluminação focada na plateia, o cantor pediu que os fãs enchessem os pulmões e fingissem estar no banheiro de casa — "o melhor lugar pra cantar", segundo ele. A arena não decepcionou, mas não tinha como competir com o agudo de Xororó.
Ao fim de "A Tal da Paz", do projeto José e Durval por Chitãozinho e Xororó (2025), mais um momento de nostalgia tomou conta do palco.
Nostalgia e rádio AM
A dupla levou um rádio AM antigo para o palco, e Chitãozinho lembrou os tempos em que o sertanejo tocava na madrugada. "A gente ouviu muito as nossas canções num radião desses aqui. Vamos ver se ainda funciona?", disse, ligando o aparelho. A estática logo deu lugar para a narração de Zé Bétio, icônico locutor de rádio que marcou a carreira de diversas duplas sertanejas. Na gravação, o locutor chama a dupla para cantar o próximo sucesso: "Fio de Cabelo".
Parcerias internacionais
Xororó falou sobre os presentes que os anos de carreira trouxeram, incluindo parcerias com grandes nomes. Ele lembrou da gravação do terceiro álbum em espanhol em Miami, quando foram apresentados ao Bee Gees. O encontro, que parecia impossível, rendeu o próximo sucesso do setlist: "Palavras" (Words), que mistura versos da canção original com a versão em português. A dupla emendou outra parceria internacional, "Ela Não Vai Mais Chorar", com Billy Ray Cyrus, que contou com a participação especial do cantor Daniel Quirino, do backing vocal.
Momentos emocionantes
Em "Alô", Chitãozinho pediu que os fãs ligassem a lanterna do celular para acompanhá-los. "Essa canção fica melhor quando vocês fazem isso", disse. Outro momento de nostalgia foi o bis de "Sinônimos", dedicado aos apaixonados da arena, com um arranjo de guitarra e fotos e vídeos antigos da dupla no telão. "Lá vou eu de novo", disse Chitãozinho antes de começar "Vida Marvada". Daniel Quirino voltou ao centro do palco para fazer bonito na parte do rap da canção, parceria com o rapper Cabal.
Animação no alto
A reta final da apresentação foi bastante animada. "Deixei de Ser Cowboy Por Ela", "Aqui o Sistema é Bruto" e "Bailão de Peão" contaram com a participação do sanfoneiro Felipe Silva (Felipinho) no palco. Ficou claro que Chitãozinho e Xororó levam a sério o verso "Festa de peão, também to no meio" mesmo após 56 anos de carreira. "Se Deus Me Ouvisse" trouxe mais emoção, com Xororó demonstrando técnica vocal impressionante.
Troca de elogios
Após apresentar todos os instrumentistas, Chitãozinho pediu aplausos para o "cantor oficial" da banda: Xororó. O irmão devolveu a gentileza e rasgou elogios ao parceiro. "Quero esse mesmo carinho pra esse cara que me acompanha há 56 anos só de estrada, mais uns cinco de quando a gente cantava lá no milharal. Pra mim, a melhor segunda voz do Brasil: meu irmão mais velho", disse.
Quase um hino
Ao anunciar a reta final, a dupla brincou que Zezé Di Camargo estava louco para subir ao palco. Mas a despedida reservou uma música muito esperada: "Evidências", tratada quase como um segundo hino nacional brasileiro. O show foi um verdadeiro passeio pela história da música sertaneja, celebrando a trajetória de uma das duplas mais amadas do país.



