Em uma noite histórica, Lazzo Matumbi gravou o primeiro álbum audiovisual de sua carreira, intitulado 'Matumbi canta a Bahia', na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, na sexta-feira, 24 de julho de 2026. O show, que celebrou 45 anos de trajetória solo do cantor e compositor soteropolitano, contou com direção artística de Manno Góes e direção musical do maestro Ubiratan Marques, resultando em uma apresentação majestosa que sintetizou o suprassumo de sua obra.
Uma noite de realeza musical
'Você é o rei', saudou Rachel Reis ao cantar 'Bahia comigo' (Paulo Diniz e Odibar, 1972) com Lazzo, diante de um público que lotou o espaço. Aos 69 anos, nascido em 24 de março de 1957, Lazzo viveu uma noite de rei, envolto por bailarinos, luzes inebriantes e projeções que realçaram sua aura. A produção orquestrada combinou sopros e percussões de forma harmoniosa, sob a batuta de Ubiratan Marques, criando uma experiência sonora arrebatadora.
Trajetória e ativismo em cada canção
Vocalista do Ilê Aiyê entre 1978 e 1980, Lazzo iniciou carreira solo em 1981 com o single 'Salve a Jamaica (Homenagem a Bob Marley)' e 'Guarajuba'. Desde então, tornou-se voz ativista da Bahia, popularizando o samba-reggae e o reggae. O show 'Matumbi canta a Bahia' foi pautado por esse ativismo, gerando momentos emocionantes. 'A minha pele de ébano é / A minha alma nua', cantou Lazzo ao abrir 'Alegria da cidade' (1988), parceria com Jorge Portugal. Mais tarde, o canto a capella de '14 de maio' (2021) eletrizou a plateia: 'O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver / No dia 14 de maio, ninguém me deu bola / Eu tive que ser bom de bola pra sobreviver'.
Repertório que extrapola fronteiras
Além de suas canções, Lazzo interpretou obras de outros compositores baianos. Surpreendeu ao cantar 'Sim / Não', de Caetano Veloso, do álbum 'Outras palavras' (1981), mesmo ano de seu debut solo. Também reviveu 'Brasil pandeiro', de Assis Valente, e 'São Salvador', de Dorival Caymmi, com intervenção do rapper BNegão. O roteiro, assinado por Manno Góes, incluiu 'Negrume da noite' (Paulinho do Reco e Cuiuba, 1989), pérola que saúda o Ilê Aiyê, e 'Luandê' (Ederaldo Gentil e José Carlos Capinan). O ijexá 'É d'Oxum' (Gerônimo Santana e Vevé Calazans, 1985) foi cantado em tons serenos, ao lado de 'Cordeiro de Nanã' (Mateus Aleluia e Dadinho, 1977), sucesso dos Tincoãs.
Participações especiais e encerramento emocionante
O rapper Ravi Lobo enfatizou o ativismo ao dividir 'Herança do quilombo', música de seu álbum 'Shakespeare do gueto II' (2025). A BaianaSystem subiu ao palco para 'Navio' (Russo Passapusso, 2019), 'Praia do futuro' (Antonio Carlos, Jocafi e Russo Passapusso, 2025) e 'Do jeito que seu nego gosta' (Lazzo Matumbi e Joselito de Miranda, 1983), do primeiro álbum 'Viver, sentir e amar' (1983). O show encerrou com 'Me abraça e me beija' (1988), reggae composto com Gileno Félix, falecido dias antes, em 20 de julho de 2026, aos 73 anos. O canto coletivo, com o coro Multivox, reforçou o tom majestoso da noite em que Lazzo Matumbi foi rei.
O colunista e crítico musical do g1 viajou a Salvador a convite da produção do show.



