DJ Nonô, referência do funk em Juiz de Fora, celebra 40 anos
DJ Nonô, referência do funk em Juiz de Fora, celebra 40 anos

Desde os primeiros bailes promovidos na cidade, DJ Nonô acompanha e ajuda a escrever a trajetória do funk em Juiz de Fora. Com mais de quatro décadas de atuação, ele se consolidou como um dos nomes mais importantes da cena local e viu o gênero se firmar como parte da cultura urbana. O movimento, que nasceu nas favelas brasileiras ainda nos anos 1970 sob influência do soul e da disco music, encontrou em Nonô um agente ativo de sua difusão na Zona da Mata.

Dos primeiros discos ao projeto O Funk em Juiz de Fora

A relação de Nonô com os bailes começou ainda na juventude, quando ele passou a ajudar equipes de som. Com o tempo, ganhou confiança e espaço para assumir as pick-ups, tocando suas primeiras músicas ao vivo. A estreia, porém, foi cercada de apreensão. "Me deram a oportunidade de colocar um disco. Eu ficava com medo, porque era muito diferente do que é hoje. Não tinha a tecnologia atual. O DJ precisava colocar o disco e acompanhar tudo com atenção. Foi assim que comecei", relembra.

Na década de 1990, o DJ esteve entre os idealizadores do projeto "O Funk em Juiz de Fora". A iniciativa resultou no lançamento de cinco discos, revelou artistas locais e ainda organizou caravanas para apresentações em diversas regiões do país. Para Nonô, aquele período representou uma fase de efervescência musical e aproximação entre públicos distintos.

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"Era um funk diferente, mais ligado ao soul, com influências de artistas como James Brown e de bandas que marcaram aquela época. As equipes de som tocavam estilos variados e, em determinado momento, houve uma mistura entre diferentes públicos. O asfalto e o morro se juntaram", afirma ele.

Rádio comunitária e resistência cultural

Além da atuação nos bailes, Nonô participou da criação de uma rádio comunitária voltada à valorização da cultura periférica e do movimento hip-hop. O projeto foi tocado ao lado da irmã, Adenilde Petrina, professora, radialista e referência no movimento negro, que faleceu em outubro do ano passado.

Ao longo da história, o funk também enfrentou muito preconceito. Segundo o DJ, artistas e frequentadores dos bailes sempre estiveram no alvo de discriminação, especialmente a população negra. "O preconceito contra o funk já existia contra quem era da periferia, principalmente contra a população negra. Os bailes representavam muito isso. Na época, as pessoas questionavam por que havia tantos negros reunidos naquele espaço", relata.

Segundo Nonô, diversos clubes da cidade eram frequentados majoritariamente por moradores das regiões periféricas, tornando-se importantes pontos de encontro e convivência. Esses espaços ajudaram a estruturar a cena funk local e a criar redes de apoio entre as comunidades.

O funk segue vivo na cidade

Atualmente, o Clube Olímpico é um dos principais espaços de encontro da cultura funk em Juiz de Fora. O local reúne diferentes gerações em torno de uma manifestação cultural que ultrapassa a música, ligada à identidade e ao sentimento de pertencimento de milhares de pessoas. Outras áreas da cidade também recebem eventos do gênero, como o trabalho promovido pelo grupo Divulga Som, que realiza encontros entre equipes de som e mantém viva a tradição dos bailes.

"Estamos buscando espaços para continuar realizando nossos eventos. Tem baile no Olímpico, encontros na Zona Norte e festas em vários lugares da cidade. Onde a gente pode estar, levamos nosso trabalho para apoiar as comunidades e os fãs", explicou Erika Pieres, uma das integrantes do grupo.

DJ Nonô encerra com uma mensagem sobre o futuro do movimento: "É importante continuar lutando e fazendo o que a gente acredita. O que fazemos hoje amanhã será passado, e novas gerações vão surgir. Por isso é fundamental manter essa história viva".

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