O biquíni, peça que revolucionou a moda praia e se tornou símbolo de liberdade feminina, completa 80 anos nesta quarta-feira (1º de julho de 2026). Criado pelo francês Louis Réard em 1946, o traje de duas peças estreou em Paris e rapidamente se espalhou pelo mundo, mas foi no Rio de Janeiro que encontrou sua expressão máxima, especialmente na década de 1970.
Origem em Paris e polêmica inicial
Em 5 de julho de 1946, Louis Réard, um engenheiro mecânico que assumiu a loja de lingerie da mãe, apresentou sua criação na piscina do hotel Piscine Molitor, em Paris. O nome "biquíni" foi inspirado no Atol de Bikini, onde os EUA realizavam testes nucleares, sugerindo que a peça teria um impacto explosivo. A modelo Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris, foi a primeira a desfilar com a criação, que consistia em apenas 30 polegadas de tecido estampado. A reação foi imediata: muitas mulheres acharam ousado demais, e o biquíni foi proibido em diversos países, incluindo Espanha, Itália e até mesmo no Brasil, onde chegou a ser considerado crime contra o pudor.
Auge no Rio de Janeiro nos anos 1970
Foi nas areias cariocas que o biquíni ganhou sua melhor tradução. Nos anos 1970, o Rio de Janeiro se consolidou como capital mundial da moda praia, impulsionado por estilistas como David Azulay, que criou o icônico modelo de lacinho. A peça tornou-se um símbolo da cultura carioca, associada à liberdade, ao sol e ao mar. "O biquíni de lacinho virou febre e até hoje é lembrado como um marco na moda praia brasileira", afirma a historiadora de moda Maria Fernanda Gama. A popularidade do biquíni no Brasil foi tamanha que o país passou a ser referência global em design de moda praia.
Evolução e diversidade
Ao longo das décadas, o biquíni evoluiu para atender a diferentes corpos e estilos. Dos modelos de cintura alta dos anos 1950 aos cortes minimalistas dos anos 1990, a peça refletiu as mudanças sociais e a luta pela emancipação feminina. "O biquíni não é apenas uma roupa de banho; é um símbolo de liberdade e de conquista das mulheres sobre seus corpos", destaca a socióloga Carla Oliveira. Hoje, a moda praia abraça a diversidade, com peças que valorizam todos os tipos de corpos, idades e identidades de gênero.
Legado e impacto cultural
O biquíni também marcou presença no cinema, na música e na arte. Desde o icônico uso de Ursula Andress em "007 contra o Satânico Dr. No" (1962) até as capas de revistas e campanhas publicitárias, a peça se consolidou como ícone cultural. No Brasil, o biquíni é parte essencial do verão e do estilo de vida praiano, com marcas nacionais exportando para o mundo inteiro.
Ao completar 80 anos, o biquíni segue como peça-chave da moda praia global, representando não apenas uma tendência, mas um legado de liberdade e expressão feminina.



