Lançamento resgata história da filha de Jango
A neta do ex-presidente João Goulart, Maria Beatriz Goulart, lança o livro "Memórias do Exílio: A História de João Goulart Contada por Sua Filha", que reúne cartas, fotografias e documentos inéditos da filha do ex-presidente, Maria Thereza Goulart. A obra, publicada pela editora Record, tem 320 páginas e traz relatos emocionantes sobre os anos de exílio da família após o golpe de 1964.
Conteúdo do livro
O livro é baseado em um baú de memórias que Maria Thereza guardou por décadas, incluindo correspondências trocadas com o pai, diários pessoais e registros fotográficos. Segundo a autora, "cada carta revela um pouco da dor e da esperança que marcaram aqueles anos difíceis". A obra também conta com depoimentos de amigos e familiares que conviveram com Jango no exílio, na Argentina e no Uruguai.
Maria Beatriz Goulart, que é historiadora, explica que o objetivo do livro é "mostrar o lado humano de João Goulart, um presidente que foi injustiçado e que nunca perdeu a fé no Brasil". Ela destaca que muitas das cartas são inéditas e trazem detalhes sobre a vida cotidiana no exílio, como as dificuldades financeiras e a saudade da pátria.
Contexto histórico
João Goulart, conhecido como Jango, foi presidente do Brasil de 1961 a 1964, quando foi deposto pelo golpe militar. Exilou-se no Uruguai e depois na Argentina, onde morreu em 1976, supostamente envenenado. A filha Maria Thereza, que tinha 22 anos na época do golpe, acompanhou o pai no exílio e testemunhou de perto as consequências do regime militar.
O livro resgata não apenas a história pessoal da família, mas também o contexto político da época, com análises de historiadores e documentos que comprovam a perseguição política sofrida por Jango. A obra já está disponível nas principais livrarias do país e tem recebido críticas positivas da imprensa especializada.
Impacto e repercussão
O lançamento do livro ocorre em um momento de revisão histórica no Brasil, com a abertura de arquivos da ditadura e a discussão sobre a Comissão Nacional da Verdade. Maria Beatriz Goulart espera que a obra contribua para "manter viva a memória de Jango e de todos que lutaram pela democracia".
Segundo a editora Record, a tiragem inicial é de 5 mil exemplares, e a previsão é que o livro seja traduzido para o espanhol e o inglês. A autora também planeja uma turnê de lançamento por várias capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.



