Siron Franco: 'Criar conceito é se prender a camisa de força'
Siron Franco: 'Criar conceito é se prender a camisa de força'

Prestes a completar 79 anos, o pintor e escultor goiano Siron Franco mantém uma rotina singular: dorme em uma barraca montada dentro de seu ateliê, em Aparecida de Goiânia. A escolha, segundo ele, permite uma proximidade constante com as telas, facilitando a produção contínua. "Quando você cria um conceito, se prende a uma camisa de força. Prefiro a liberdade do improviso", afirma o artista, que acaba de lançar o livro "Pensamento insubordinado" e inaugurou a exposição "Expressões" na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.

Exposição reúne 140 obras históricas

A mostra, em cartaz até 30 de julho, reúne 140 obras que percorrem seis décadas de carreira. Entre as séries icônicas está a dedicada ao acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, que marcou profundamente a trajetória do artista. "Aquela tragédia me fez refletir sobre a fragilidade humana e a irresponsabilidade. Foi um divisor de águas", relembra Siron, que transformou a dor em arte.

Livro e planos para instituto

Além da exposição, o livro "Pensamento insubordinado" reúne textos e imagens que documentam seu processo criativo. "É uma forma de mostrar que a arte não precisa seguir regras rígidas", explica. Para 2027, Siron planeja inaugurar um instituto em Goiânia que abrigará seu vasto acervo pessoal, garantindo a preservação de seu legado. "Quero que as próximas gerações possam ver minhas obras e entender o contexto em que foram criadas", conclui.

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