Saudade do tempo em que a Igreja definia o pecado e as folhinhas organizavam os meses
Saudade do tempo em que a Igreja definia o pecado

Nem o prazer solitário escapou. Saudade do tempo em que só a Igreja dizia o que era pecado e os meses eram organizados pelas folhinhas. A coluna de Michel Alcoforado, exclusiva para assinantes, traz uma reflexão nostálgica sobre um período em que as regras morais eram claras e o tempo seguia o ritmo dos calendários de parede.

A era das certezas

Houve um tempo em que a Igreja detinha o monopólio do pecado. Cada ato, cada pensamento, era julgado à luz da doutrina. Não havia espaço para dúvidas ou interpretações pessoais. O pecado era objetivo, e a confissão, o caminho para a redenção. Hoje, em um mundo secularizado, cada um carrega o próprio fardo de culpa, sem um tribunal divino para absolver ou condenar.

O ritmo das folhinhas

Os meses eram organizados pelas folhinhas, aqueles calendários de papel que marcavam o tempo de forma tangível. Cada dia era uma folha a ser arrancada, cada mês, uma nova página. A vida seguia um ciclo previsível: santos, feriados, estações. Não havia a aceleração digital, a ansiedade das notificações, a tirania do agora. O tempo era mais lento, mais respeitado.

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O prazer solitário e o pecado

Nem mesmo o prazer solitário, a masturbação, escapava ao crivo da Igreja. Era pecado, e ponto final. Não havia debates sobre saúde sexual, liberdade individual ou descoberta do corpo. A culpa era certa, mas também o perdão, desde que houvesse arrependimento. Hoje, o prazer solitário é banalizado, mas a culpa persiste, agora sem a possibilidade de absolvição.

Nostalgia de um mundo que se foi

Michel Alcoforado nos convida a refletir sobre essa nostalgia. Não se trata de defender a volta de um tempo de repressão, mas de reconhecer o que se perdeu: a clareza moral, a lentidão do tempo, a autoridade inquestionável. Em um mundo de incertezas, a saudade de um passado ordenado é quase um refúgio. Mas será que realmente queremos voltar? Ou apenas sentimos falta da segurança que ele proporcionava?

A coluna exclusiva

Esta é uma coluna exclusiva para assinantes, que aprofunda essas questões com a sensibilidade característica de Alcoforado. Para ler na íntegra, é necessário ser assinante do veículo. A reflexão, no entanto, ecoa em todos nós, que vivemos entre a liberdade e a angústia de escolher nossos próprios pecados.

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