Safra de sambas de enredo de 1976 é considerada superior à de 2026
Safra de sambas de enredo de 1976 é considerada superior à de 2026

O Carnaval de 2026 do Rio de Janeiro foi aberto oficialmente na sexta-feira, 13 de fevereiro, mobilizando multidões que acompanharão os desfiles das escolas de samba. No entanto, há consenso de que a safra de sambas de enredo deste ano é uma das mais fracas da história da festa. Em contraste, a safra de 1976, celebrada há 50 anos, é lembrada como uma das melhores, com obras que se tornaram clássicas.

O álbum 'Sambas de enredo das escolas de samba do grupo 1', lançado em LP pela Top Tape no fim de 1975, eternizou 14 sambas daquele ano. Entre eles, destaca-se 'Os sertões', da escola Em Cima da Hora, composto por Edeor de Paula e cantado por Nando. A obra é frequentemente considerada um dos melhores sambas de enredo de todos os tempos, com melodia e letra primorosas, em um andamento mais lento e com apelo artístico.

Outros sambas notáveis de 1976 incluem 'No reino da Mãe do Ouro', da Mangueira, cujo refrão 'Obabá/ Olaô babá/ É a Mãe do Ouro/ Que vem nos salvar' ficou na memória popular. 'Lenda das sereias – Rainha do mar', do Império Serrano, foi revitalizado por Marisa Monte em 1989. 'Sonhar com rei dá leão', da Beija-Flor, composto por Neguinho da Beija-Flor, ajudou a escola a conquistar seu primeiro título, com o carnavalesco Joãosinho Trinta.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A safra de 1976 também incluiu 'Menininha do Gantois', da Mocidade Independente de Padre Miguel, 'O homem do Pacoval', da Portela, e 'Invenção de Orfeu', da Unidos de Vila Isabel. Embora nem todos os sambas daquele ano tenham sido obras-primas, a qualidade geral era superior à das safras recentes. Especialistas apontam que os sambas medianos de 1976 poderiam ser considerados excelentes em 2026.

A profissionalização do Carnaval carioca começou em 1976, com a vitória da Beija-Flor, que quebrou o monopólio das quatro grandes escolas (Portela, Império Serrano, Mangueira e Salgueiro). A partir daí, o luxo e a indústria passaram a dominar os desfiles, enquanto a escolha dos sambas de enredo tornou-se mais política do que artística, contribuindo para a queda de qualidade percebida nos anos seguintes.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar