O padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, firmou um acordo com a família de Preta Gil para se retratar publicamente por declarações consideradas intolerância religiosa durante uma missa em julho do ano passado. O acordo cível, fechado em 11 de abril, ainda precisa ser homologado pela Justiça.
Pelo acordo, o padre deverá pedir desculpas nominalmente a Gilberto Gil e outros familiares de Preta Gil durante a celebração de uma missa transmitida pelo canal da Paróquia de Areial no YouTube. A retratação será feita no mesmo ambiente onde as falas originais ocorreram, para garantir alcance equivalente.
No termo, o padre reconhece o teor ofensivo de suas declarações e que elas causaram dor aos familiares. Com o acordo, ele evita o pagamento de R$ 370 mil em indenização. Caso não cumpra a retratação em 30 dias úteis após a homologação, estará sujeito a multa de R$ 250 mil.
Além disso, o padre deverá doar oito cestas básicas a uma instituição indicada pela família Gil, em até dez dias após a homologação. A Diocese de Campina Grande também é parte no acordo. Em fevereiro, na esfera criminal, o padre já havia firmado um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal da Paraíba, comprometendo-se a participar de um ato inter-religioso, o que ocorreu com a presença remota de Gilberto Gil.
O caso teve início em 27 de julho, quando, durante uma homilia transmitida ao vivo, o padre associou a fé de Preta Gil em religiões de matriz afro-indígenas à sua doença e morte, referindo-se a essas religiões como 'coisas ocultas' e desejando que 'o diabo levasse' quem as praticasse. A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria registrou boletim de ocorrência por intolerância religiosa.



