O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação para acelerar a reforma da antiga Hospedaria dos Imigrantes, localizada na Vila Mathias, em Santos. O imóvel histórico, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), está sem uso definido e é classificado como área contaminada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) desde 2005.
De acordo com a ação, o governo estadual tem 90 dias para apresentar um plano detalhado de descontaminação do solo e um cronograma de revitalização. O promotor Carlos Cabral Cabrera informou que o prédio funcionou como depósito com tanques de combustíveis, o que gerou a contaminação ambiental apontada pela Cetesb.
Em outubro de 2025, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) apresentou um projeto de revitalização que prevê a criação de um complexo multifuncional. A proposta inclui apartamentos, lojas, salas comerciais, cinema e quadra poliesportiva, visando transformar o espaço em um centro de convivência urbana que preserve o patrimônio histórico e amplie a oferta de moradia e serviços na região central.
O MP-SP, no entanto, afirma que a Prefeitura de Santos não comprovou avanços concretos no termo de cooperação com a CDHU, conforme exigido por decisão judicial anterior. A CDHU, em nota, informou que os estudos técnicos necessários para viabilizar o projeto estão em fase de validação, com previsão de conclusão no primeiro semestre deste ano. A companhia também solicitou levantamentos como laudo ambiental, cadastramento ambiental e arbóreo, e atualização do levantamento topográfico cadastral.
Construído em 1912, o edifício foi projetado para receber imigrantes que chegavam pelo Porto de Santos, mas nunca cumpriu essa função, pois o fluxo migratório já havia diminuído. Ao longo dos anos, o prédio serviu como armazém de café, depósito da Cooperativa dos Bananicultores e pátio de contêineres. A Prefeitura de Santos informou que o imóvel pertence ao governo estadual e não se opõe ao projeto apresentado pela CDHU.



