Cauã Reymond chama 'Jogada de Risco' de 'proibidão do futebol'
Cauã Reymond: 'Jogada de Risco' é o 'proibidão do futebol'

As cenas de sexo de 'Jogada de Risco' dominaram as redes sociais desde a estreia na quinta-feira (23 de setembro) no Globoplay. A produção, que aborda os bastidores do futebol, traz tramas de personagens envolvendo negociações milionárias, relações de poder, ética, homossexualidade, saúde mental e apostas. Nos primeiros minutos do primeiro episódio, cenas de nudez e o uso de uma cintaralha (cinta peniana) geraram mais comentários do que a imagem do protagonista Maurício, interpretado por Cauã Reymond, prestes a ser arremessado do alto de um estádio.

Cauã Reymond define série como 'proibidão do futebol'

Para Cauã, que além de atuar é idealizador do projeto, a resposta do público não foi surpresa. 'A série foi vendida nesse lugar também. Ela é o proibidão do futebol. E o proibidão envolve sexo, né? Envolve festa, noitada, doping, situações delicadas. Esse era o objetivo desde o começo. A série foi inspirada na realidade, não em fatos reais', conta o ator em entrevista ao g1. 'Desde o começo, a ideia era retratar o futebol, não no lugar de elogio ou de sonho, mas dentro do que a gente tem curiosidade de saber, que são essas festas, de como são esses rolês, as coisas que a gente ouve falar.'

Pesquisa profunda inspirada em Aaron Sorkin

A pesquisa para a série foi profunda. Cauã conversou com agentes, técnicos, dirigentes, assessores de imprensa, jogadores, ex-jogadores e jornalistas. Questionado se ficou chocado com algum caso, ele nega. 'Sou um homem maduro, tenho mais de duas décadas de carreira e de vida. Foi uma confirmação, um: “ah então é assim que acontece, é desse jeito que se desdobra”. Teve um ou dois assuntos que eu falei: “sério, isso acontece?”.'

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Cauã construiu uma relação de confiança com suas fontes e, em certo momento, pediu para que não fossem revelados os nomes dos personagens da vida real. 'Num certo momento, eu falava assim: “eu não quero mais saber o nome do Santo, só me conta o milagre”.'

Cena da cintaralha: criação do ator que encontrou eco na realidade

Uma das cenas mais comentadas do primeiro episódio não veio da pesquisa, mas foi criada por Cauã: a cena da cintaralha com a garota de programa Daniele (Bruna Griphao) e o jogador Luan (Juan Paiva). 'A cena da cintaralha. Isso é uma ideia minha. Quando eu pensei nela, eu queria alguma coisa que impactasse o público e que instigasse', conta. Durante as gravações, descobriu que não era mera invenção: 'Uma pessoa que estava ali filmando um dos nossos atores falou que sabia exatamente de um ou dois jogadores que tinham esse hábito. E sem julgamento nenhum. Era uma coisa até bem mais comum do que eu imaginava.'

Terapia em cena? Ator revela processo de preparação

A trama de 'Jogada de Risco' inclui a relação conturbada entre Maurício e seu pai, Valdemar (Marcos Frota). Cauã já revelou em entrevistas que sentia falta da presença física do pai, mas nega que a série seja terapia em cena. 'Nunca faço terapia [em cena], faço terapia antes. No analista mesmo. E cada vez num valor mais alto.' Ele explica que o trabalho artístico serve para se aproximar das emoções, mas a análise o ajuda a entender sua proximidade com o personagem. 'O lugar onde eu acho que acontece uma terapia do personagem, e que é muito importante para mim já há uns bons 15 anos, é com o preparador de elenco.'

Como nasceu 'Jogada de Risco'

Lançada em 23 de setembro, a série tem Cauã como idealizador e roteirista ao lado de Thiago Dottori e Sofia Maria. Bruno Safadi assina a direção e Isabela Bellenzani a produção, com supervisão de texto de Lucas Paraizo. A série terá oito episódios no total, com dois novos a cada quinta-feira até 13 de agosto. A ideia surgiu há pouco mais de seis anos, quando Cauã assistiu a 'Ballers', com Dwayne Johnson. 'Eu acho super distante do nosso universo, mas ali me deu um clique. “E como seria falar sobre os bastidores do futebol?”', conta. Ele começou imediatamente a colocar o projeto em prática: 'Eu sou bem objetivo e pragmático nesse sentido, até para entender se isso vai ter futuro ou não.'

A ausência de horas de sono continua mesmo após a estreia. 'Eu acho que alguma parte do meu cérebro tá ligado e não desliga, porque tem uma excitação, tem lugar de alívio, de que o filho nasceu, nasceu com saúde e a gente vem recebendo elogios.'

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Cauã não pretende parar de atuar

Com 'Jogada de Risco', Cauã estreia como idealizador e roteirista, mas já atuava como produtor desde 2008, quando foi produtor associado de 'Se nada mais der certo'. Ele garante que não vai abandonar a atuação. 'Nunca. Eu tenho hoje um trabalho como empreendedor, como empresário, e agora como produtor de uma forma mais sólida. Mas a atuação é um lugar que eu amo, é um lugar necessário. Não era um sonho de infância, eu era atleta. E me sinto muito grato porque fui escolhido pela profissão.'

Cauã e o futebol: 'sempre joguei bola mal'

Apaixonado por jiu-jitsu e surf, Cauã conta que o futebol nunca fez parte de sua rotina. 'Eu sempre joguei bola mal. Para fazer o Jorginho lá em “Avenida Brasil”, eu fiz muita aula', revela. Na infância, era o último a ser escolhido nos times. 'Eu era aquele cara que olhavam, tinha um cara passando... Aí quando não tinha ninguém, falavam, Cauã, vai pro gol. E eu ia pro gol.' Na escola, 'eu era o contrário do que é ser popular. Isso realmente contava, tinha um peso para as meninas, né? Mas olha, eu dei sorte, porque depois eu joguei basquete direitinho, então o trauma não foi tão grande assim.'