O documentário 'Y Anhembi', que aborda a relação ancestral dos povos indígenas com o Rio Tietê, foi premiado como Melhor Diretor no London Cine Awards, festival realizado em Londres, Inglaterra. O diretor Vicentini Gomez, nascido em Presidente Prudente (SP), recebeu o reconhecimento pelo trabalho que retrata um dos mais importantes cursos d'água do estado de São Paulo.
Prêmio e significado
O resultado da premiação foi divulgado na quinta-feira (16) no site oficial do festival. Vicentini Gomez expressou sua alegria e gratidão ao receber o prêmio: 'Recebi o prêmio com muita alegria e gratidão. Ser reconhecido como Melhor Diretor pelo London Cine Awards, com um filme dedicado ao Rio Tietê e à relação dos povos originários com esse território, tem um significado muito especial.'
Conhecido por papéis em novelas da Globo, como 'Avenida Brasil' (2012) e 'Joia Rara' (2013), Vicentini destacou que o prêmio representa o reconhecimento do trabalho coletivo da equipe. 'E confirma a força de uma história brasileira contada a partir de suas raízes, de sua cultura e de sua importância ambiental.'
O documentário
Com 30 minutos de duração, o documentário retrata a importância do Rio Tietê e convida o público a refletir sobre a preservação do manancial. 'Para que possamos compreender a dimensão histórica, cultural, espiritual e ambiental do Tietê e refletir sobre a responsabilidade que temos diante de sua preservação', explicou o diretor.
Para realizar o filme, Vicentini Gomez e a equipe percorreram o curso do Tietê desde sua nascente na Serra do Mar, em Salesópolis, até sua foz no Rio Paraná, cruzando o estado de São Paulo. Selecionado pelo Edital Fomento CULTSP PNAB nº 20/2024, o documentário reúne imagens aéreas e terrestres, depoimentos de pesquisadores e cenas interpretadas por atores indígenas.
Mensagem ambiental
O documentário alerta sobre a relação do ser humano com a natureza. 'O rio falava, agora engasga. Um dia foi sagrado, depois estrada. Hoje? Esgoto', cita a obra. Vicentini reforça: 'A principal mensagem é um alerta sobre a relação que estabelecemos com a natureza. Vivemos um momento de graves mudanças climáticas, poluição dos rios e redução dos recursos naturais, e precisamos rever com urgência a maneira como ocupamos e tratamos o planeta.'
Os atores indígenas Toni Gonçalves e Lucas Augusto Martins interpretam figuras ancestrais que conduzem a narrativa e lembram que a história do Rio Tietê começou muito antes da chegada dos colonizadores.
O título 'Y Anhembi'
O título do documentário faz referência ao primeiro nome pelo qual o Rio Tietê era conhecido entre os indígenas que habitavam suas margens. 'O filme busca valorizar essa ancestralidade e recordar que, muito antes de ser chamado de Tietê, o rio já fazia parte da vida, da cultura e da espiritualidade indígena. O complemento 'Rio Tietê' permite que o público reconheça imediatamente o rio sobre o qual estamos falando, unindo seu nome ancestral à denominação atual', descreveu Gomez.
Após a premiação, Vicentini recebeu críticas positivas de norte-americanos sobre a produção. 'Depois de 50 anos de carreira, ver uma publicação internacional destacar meu trabalho com palavras tão generosas representa uma confirmação de que a dedicação, a persistência e a liberdade de criar continuam produzindo frutos.'
Realização de um sonho antigo
Segundo Vicentini, a ideia do documentário era um desejo antigo, cultivado desde a década de 1990. Ele conta que sempre reconheceu a importância do Rio Tietê para a história de São Paulo e do Brasil, mas só agora conseguiu viabilizar o projeto. 'Até que finalmente conseguimos realizá-lo. Espero que esse reconhecimento internacional amplie a circulação do filme e contribua para colocar novamente o Tietê no centro das discussões sobre cultura, identidade e preservação ambiental. O rio faz parte da nossa história e precisa fazer parte das escolhas que estamos fazendo para o futuro', afirma.
Elenco e produção
Além dos atores indígenas, fazem parte do elenco Claudemir Causin, Rosana Monçoeira, Tam Causin e Jane Anjos, e os cururueiros Cassio Carlota, Vagner da Viola e Steffano Sossoniche. O documentário conta com depoimentos dos historiadores Jonas Soares de Souza, André Figueiredo, João Carlos Cândido e Elton Bruno, da antropóloga Bernadete de Castro e do ambientalista Djalma Weffort.
Os depoimentos formam um amplo painel sobre o papel do Tietê na ocupação do território, nas monções, no deslocamento de pessoas e mercadorias, na formação da identidade paulista e nos desafios ambientais contemporâneos.
O filme é uma produção da Ilumina Serviços Culturais e conta na equipe com Hugo Caserta (produção, edição e finalização), Diaulas Ullysses (assistência de direção), Michel Vicentine Martins (trilha sonora original) e Madalena Machado (figurinos).
Exibição no Brasil
Ainda não há previsão de exibição do filme no Brasil. No entanto, o público pode assistir ao trailer disponível no site do festival de Londres.



