O economista e ex-participante do "Big Brother Brasil 21", Gil do Vigor, usou as redes sociais no fim de semana para relatar uma situação de constrangimento vivida por sua mãe, Jacira Santana, dentro de um supermercado. Segundo o ex-BBB, Jacira foi alvo de uma resposta preconceituosa quando tentava saber o preço de uma garrafa de vinho.
De acordo com o relato publicado nos stories, a mãe de Gil estava no estabelecimento para comprar uma bebida antes de receber amigos em casa. Ela avistou um vinho na prateleira e decidiu perguntar o valor à funcionária do local. A atendente, porém, não deu a informação solicitada e teria dito que aquela seção era destinada a produtos com valores elevados.
O diálogo constrangedor
Gil contou que a mãe questionou o preço e ouviu como resposta: "Não é aqui não, moça, é lá atrás". Jacira ainda insistiu: "Mas aquele ali não é o vinho?" — e a funcionária teria afirmado: "É porque aqui são os valores mais altos". Para o economista, a resposta foi claramente uma forma de julgamento pela aparência da mãe ou pela suposição de que ela não teria condições financeiras para comprar o produto.
Indignado, Gil descarregou sua revolta nos stories. "Pô, ela tem o quê? Uma bola de cristal? Que fala quanto mainha pode pagar ou deixar de pagar? É da conta dela dizer se mainha tem dinheiro ou não tem? Ela tem que falar o preço!", disparou, enfatizando que o papel de quem trabalha com atendimento é simplesmente informar os valores.
“Já passei por isso”
No mesmo vídeo, Jacira apareceu para dar sua versão. Ela revelou que preferiu não discutir com a atendente naquele momento, mas confessou que a dor foi maior por ser uma situação recorrente em sua vida. "Ela nem quis... Nem me olhou... Mas eu já sou acostumada com essas coisas. Já passei por isso...", lamentou.
A fala de Jacira reforça um problema estrutural que afeta milhões de brasileiros: o preconceito social e racial que se manifesta em atitudes cotidianas, especialmente no comércio. Para Gil, a ninguém é permitido fazer suposições sobre a capacidade de compra de outra pessoa. "Minha mãe fica tranquila. Mas é obrigada a usar Dolce & Gabbana para poder comprar e ser atendida? Mas é cada uma...", criticou.
Atendimento ao público
O ex-BBB, que já foi vendedor e conhece bem a rotina de quem trabalha com público, fez questão de deixar um recado importante. "A pessoa que constrangeu minha mãe também vai ter que ser constrangida. Eu já trabalhei com atendimento ao público a minha vida inteira. A pessoa pode estar pelada. Se perguntar o preço, você responde com educação. Todos merecem ser bem atendidos, tenham dinheiro para comprar ou não", afirmou.
Gil do Vigor, que se tornou conhecido nacionalmente após sua participação no BBB 21, também é economista e atualmente vive nos Estados Unidos, onde cursou doutorado. Sua história de superação — de vendedor de tapioca em Recife a PhD em economia pela Universidade da Califórnia — dá ainda mais força ao seu discurso contra o preconceito.
Repercussão e próximo passo
O caso rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, com muitos seguidores prestando solidariedade a Jacira e criticando a postura da funcionária. Apesar da comoção, Gil afirmou que respeitará a decisão da mãe e não vai expor o nome da loja. No entanto, declarou que pretende voltar ao local para conversar com a gerência sobre o ocorrido.
"A pessoa que constrangeu minha mãe também vai ter que ser constrangida", repetiu o economista, reforçando que a conversa será para cobrar respeito. Ele também deixou uma mensagem geral: todos os clientes devem ser tratados com dignidade, independentemente de sua aparência, roupa ou condição financeira.



