Elisa Lucinda celebra carreira e amor maduro em novo espetáculo no Rio
Elisa Lucinda celebra carreira e amor maduro no Rio

Verão de 1987. Recém-chegada ao Rio de Janeiro, a capixaba Elisa Lucinda, então aos 28 anos, chamava atenção dos banhistas da Praia de Ipanema ao declamar seus poemas de cor, ao megafone. Quatro décadas depois, com 24 livros publicados, 27 trabalhos no teatro, 26 na TV, 27 no cinema, 5 prêmios e aproximadamente mil poemas decorados, a artista sobe ao palco do Manouche, no Jardim Botânico, para o espetáculo 'Ensaio para uma ideia, o improviso da griô'.

De volta ao início

No show deste domingo, às 18h, Elisa relembra os primeiros anos no Rio, quando se apresentava em bares cariocas. 'Eu me apresentava à meia-noite, horário em que os artistas chegavam para jantar depois de seus shows e peças. Assim conheci e me tornei amiga de Beth Carvalho, Martinho da Vila, Paulo José, Tizuka Yamazaki, Manoel Carlos...', enumera. A poesia foi seu 'pistolão' para a TV: 'Me levou para a TV'.

Amor maduro na ficção e na vida real

Atualmente no ar em 'Coração acelerado' como Zuleica Trindade, a atriz vive um romance com o personagem Alaor (Marcos Caruso). Na vida real, reatou o namoro com o músico Glaucus Linx, que a acompanha no espetáculo ao saxofone. 'Tivemos um relacionamento curto e marcante quando cheguei ao Rio. Ele foi para a França e voltou casado. No ano passado, o amor nos reconectou', conta. Elisa, de 68 anos, brinca: 'Não saio com novinhos!', pois Glaucus é dois anos mais jovem.

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Antes dele, Elisa se relacionou com o fotógrafo Jonathan Estrella, 31 anos mais novo. 'Nesse casamento, me sentia em vantagem pela experiência de vida. Etarismo é balela! Velho ou novo, quem não gosta de um chamego? Tesão tem a ver com estar disposta ao fogo da vida!', afirma.

Dignidade e orgulho

'Eu, mulher preta, com bundão e olhos verdes, quase um clichê sexualizado, cheguei ao Rio querendo ser atriz e poeta. Foram muitas dificuldades e assédios. Me questionavam: 'O Brasil não lê! Como quer ser reconhecida com poesia?'. Eu respondia: 'Eu leio para o Brasil!'. Tenho a vitória de não dever nada a ninguém. Consegui tudo por caminhos dignos, sou Independente Futebol Clube', declara orgulhosa.

Fofoca boa nos bastidores

A amizade com Leticia Spiller furou a bolha da ficção. 'Somos muito irmãs, confidentes. Conversamos sobre amor e sexo nos bastidores. O diretor grita 'Ação!', damos o texto e voltamos a fofocar', entrega. Ela criou com Leticia e Isadora Cruz um grupo de WhatsApp chamado 'As Bruxas de Goiás', que depois incluiu Cleo.

Autoestima nas alturas

Na novela, Elisa usa perucas para interpretar Zuzu. 'Queria ficar livre para ter meu visual fora de cena. Estou gostando do meu cabelo curtinho', conta. Aos 70 anos, está de bem com o espelho: 'Estou com um pouquinho de barriga, mas não me incomoda. Preocupo-me mais com a mobilidade. Subo os dez andares de onde moro de dois em dois degraus. Por conseguinte, a bunda fica mais dura. Continuo usando meu fio-dental, sendo atraente para quem me ama e para mim. Sou modelo original de fábrica, sem procedimentos estéticos'.

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