Rafael Souto, de 24 anos, é colorista e mora em Porto Velho. Ele participou da pós-produção do novo projeto de Anitta, o Equilibrivm II, e já assinou trabalhos para o rapper Travis Scott, para o cantor Matuê e para o lutador do UFC Alex Poatan. Na obra de Anitta, Rafael foi responsável pela colorização dos trechos exibidos entre os minutos 10:11 e 15:23.
O colorista atua na etapa de pós-produção audiovisual, ajustando cores, contraste e iluminação para definir a identidade visual de cada cena. O material bruto passa por um tratamento que transforma as imagens e ajuda a transmitir as emoções previstas pelo diretor ou pelo cliente.
Carreira internacional sem sair de Porto Velho
Além de Anitta, o portfólio de Rafael inclui produções com Travis Scott, Matuê e Alex Poatan. Ele também assinou campanhas para marcas internacionais, como uma peça publicitária para uma fabricante de canetas que venceu prêmios no Festival de Cannes.
"Foi uma realização profissional muito importante e, depois disso, a galera foi confiando mais em mim", disse Rafael.
Trabalhar com artistas de projeção internacional exige discrição. Segundo ele, os contratos têm cláusulas de confidencialidade e, muitas vezes, o trabalho só pode ser comentado depois do lançamento. "A única pessoa para quem eu conto é a minha esposa, para não vazar nada. Existem documentos de confidencialidade", explica.
Quanto ganha um colorista
O mercado oferece boa remuneração, mas exige investimento alto em tecnologia, como computadores potentes e monitores calibrados. De acordo com Rafael, o cachê para tratar as cores de um clipe nacional de grande orçamento varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
O profissional ressalta que a estrutura de trabalho é essencial para entregar um resultado competitivo no mercado global. Apesar de atender artistas internacionais, ele segue baseado em Rondônia, onde mantém uma parceria com o diretor e videomaker Juraci Júnior.
Do vídeo de casamento aos grandes artistas
O interesse por imagens começou cedo. Rafael é filho de um fotógrafo de casamentos e, ainda jovem, editava vídeos de eventos ao lado do pai. O sonho de crescer profissionalmente, porém, parecia distante para quem vivia longe dos grandes centros.
"Eu sempre pensava: como vou conseguir atingir as pessoas que pagam bem? Eu não tinha pretensão de ir embora daqui. Cheguei à conclusão de que teria que ser pela internet, trabalhando com pós-produção", conta.
Nascido em Luziânia (GO), Rafael mora em Rondônia desde a infância. Foi no estado que ele conheceu profissionais da área e começou a construir a carreira. "Eu vim pra cá com a minha família e estou aqui até hoje. Foi aqui que conheci as pessoas da área e cheguei ao ponto de trabalhar com isso", contou.
Em Porto Velho, mantém parceria profissional com Juraci Júnior, que foi um dos primeiros a apostar no seu trabalho. "Foi uma das pessoas que acreditou em mim no início. Mesmo eu não tendo nome e não tendo muitos trabalhos, ele confiou em mim. Então, a gente tem muito essa parceria de amigo mesmo, de fazer um projeto do outro", disse.
Uma profissão rara em Rondônia
Curiosamente, a área em que Rafael construiu a carreira era a que menos gostava no começo. A virada aconteceu depois que ele conheceu o dono de uma agência em São Paulo, que apresentou a profissão de colorista. A partir daí, ele estudou as técnicas, começou a receber indicações e, em maio de 2023, passou a trabalhar exclusivamente na área.
"Eu nem gostava dessa parte de cor, achava um porre fazer. Mas, depois que conheci um profissional da área e comecei a estudar, fui encontrando meu caminho", contou.
A profissão de colorista ainda é restrita no Brasil e se concentra principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Rondônia, Rafael é praticamente o único profissional que vive exclusivamente dessa função. Mesmo assim, ele não pretende deixar Porto Velho.
"No início eu até pensava em ir para São Paulo [...], mas hoje eu me vejo conseguindo tudo daqui. Amo ficar em Porto Velho. [...] Não me vejo saindo, quero continuar aqui por muito tempo", afirma.



