Tarifa de 50% dos EUA pode inviabilizar exportação de materiais de construção, alerta entidade
Tarifa de 50% dos EUA pode inviabilizar exportação de materiais de construção, alerta entidade

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 1º de agosto, deve inviabilizar a exportação de materiais de construção, segundo avaliação do presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele explicou que itens como pedras, gesso, cimento e amianto enfrentam um momento desafiador por serem de baixo valor agregado e terem custo de transporte elevado.

“A imposição de uma sobretaxa de 50% sobre um produto já de baixo valor compromete diretamente sua competitividade. Torna-se inviável a exportação desses itens para os Estados Unidos, pois o aumento de preço os torna proibitivos”, afirmou Castro. Além dos materiais de construção, o setor de aeronaves também está em risco, já que os EUA são o maior mercado importador mundial.

O segmento de moluscos, peixes e crustáceos também deve ser afetado, segundo Castro. “São produtos de baixo valor agregado com custo de obtenção elevado. Sem tributos, a exportação é competitiva, mas com a tributação, sua viabilidade comercial é comprometida”, analisou. O alerta se estende ao agronegócio, com destaque para o suco de laranja, que já enfrenta tarifa fixa de US$ 415 por tonelada.

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O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta que o suco de laranja é o mais sensível à nova política. Os EUA importam cerca de 90% do suco que consomem, e o Brasil responde por 80% desse total. A sobretaxa de 50% aumentaria significativamente o custo de entrada, comprometendo a competitividade do produto brasileiro.

No setor de rochas naturais, a tarifa já causou prejuízos bilionários. Desde o anúncio da medida, em 9 de julho, estima-se que 60% dos embarques para os EUA foram suspensos, segundo a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). O impacto é maior no Espírito Santo, de onde partem 95% dos contêineres exportados. Até o fim de julho, cerca de 1.140 contêineres deixarão de ser enviados, com perda de aproximadamente US$ 38 milhões.

Entidades norte-americanas da construção civil, como o Natural Stone Institute e a National Association of Home Builders, articulam um pedido formal de adiamento de 90 dias da tarifa. O temor é de que a restrição afete toda a cadeia produtiva, já que 85% da pedra natural consumida nos EUA é importada, e o Brasil é o principal fornecedor, com 22,6% das importações. A tarifa pode atingir mais de 12 mil fabricantes, 500 distribuidores e cerca de 200 mil empregos nos Estados Unidos.

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