O volume de serviços no Brasil caiu 0,2% em janeiro na comparação com dezembro, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira. O resultado veio ligeiramente abaixo da expectativa de mercado, que previa recuo de 0,1%, e reforça a desaceleração da atividade econômica sob efeito da política monetária restritiva.
Na comparação com janeiro de 2024, o setor avançou 1,6%, também abaixo da projeção de alta de 1,9%. O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, destacou que, após atingir o pico histórico em outubro de 2024, o setor acumulou perda de 1,1% nos últimos três meses, com duas taxas negativas e uma estabilidade.
O resultado foi puxado principalmente pelos transportes, que recuaram 1,8%, com destaque para quedas nos segmentos dutoviário, aéreo, rodoviário coletivo de passageiros, ferroviário de cargas e correio. Também caíram os serviços prestados às famílias (-2,4%) e os profissionais, administrativos e complementares (-0,5%).
Por outro lado, os setores de informação e comunicação e outros serviços registraram alta de 2,3% cada, evitando uma queda mais acentuada. O economista sênior do Inter, André Valério, afirmou que o dado reforça a visão de acomodação no ritmo de atividade, com piora tanto nos serviços ligados à demanda quanto aos ligados à oferta.
O Banco Central elevou a Selic para 13,25% ao ano e sinalizou novo aumento de 1 ponto percentual em março, o que deve continuar pressionando o crédito e o consumo. Em 2024, o setor de serviços, que responde por cerca de 70% da economia, cresceu 3,7%, mas perdeu força no fim do ano.



