O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que não há recursos de fundos de pensão fechados aplicados no Banco Master. A declaração foi dada em entrevista ao programa 'Bom dia, Ministro' e em meio a convocação para depor em comissão do Senado que investiga o caso. Segundo ele, os fundos de pensão, que somam cerca de R$ 1,4 trilhão e são supervisionados pela Previc, não têm nenhum real investido na instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Queiroz esclareceu que as irregularidades foram identificadas apenas em regimes próprios de previdência de estados e municípios, usados para pagar aposentadorias de servidores públicos. Após auditorias realizadas pela Previdência Social em 2024, os dados foram enviados à Polícia Federal, que deflagrou operações em diversos locais. O ministro, no entanto, não revelou os nomes das cidades investigadas, alegando sigilo determinado pela PF.
Do total de R$ 1,7 bilhão investido por estados e municípios em fundos de pensão, ao menos R$ 970 milhões estão no Banco Master, o que representa mais de 7% das aplicações. Entre os casos mais expressivos estão a Rioprevidência, com cerca de R$ 500 milhões, e o Amprev. O fundo de pensão dos servidores do Amazonas detém R$ 54,4 milhões em letras financeiras do banco, enquanto Cajamar (SP) possui quase R$ 100 milhões, equivalentes a 15,4% de seus investimentos.
O ministro também destacou que, desde que assumiu a pasta, foram realizadas mais de 63 operações contra fraudes no INSS, com previsão de R$ 350 milhões a serem ressarcidos. A convocação de Queiroz pelo Senado, nesta terça-feira (19), visa obter detalhes das auditorias de 2024 e 2025. O requerimento do senador Renan Calheiros (MDB-AL) aponta que documentos técnicos autorizando investimentos no Master continham conteúdo semelhante a materiais publicitários do banco.
Em dezembro de 2025, o governo Lula aprovou regras mais rígidas para investimentos de regimes próprios de previdência, após reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). Eventual rombo decorrente das aplicações no Master precisará ser coberto com recursos dos caixas estaduais e municipais.



