Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que o insider trading pode elevar o custo de capital das empresas brasileiras em até 5%. A pesquisa, que utilizou um modelo preditivo inédito, analisou transações suspeitas entre 2010 e 2020 na B3.
Impacto do insider trading no custo de capital
De acordo com o coordenador do estudo, professor Carlos Alberto de Moraes, a prática aumenta o risco percebido pelos investidores. “Quando há assimetria de informação, os acionistas exigem um prêmio maior, o que encarece o financiamento das companhias”, explicou. O modelo estima que a cada 1% de probabilidade de insider trading, o custo de capital sobe 0,8 ponto percentual.
Metodologia do modelo preditivo
O modelo desenvolvido pela FGV utiliza algoritmos de machine learning para identificar padrões anômalos de negociação. Foram analisados mais de 2 milhões de operações, cruzando dados de preços, volumes e datas de eventos corporativos. A precisão do modelo chegou a 85% na detecção de transações suspeitas.
Consequências para o mercado
O estudo aponta que o insider trading não apenas prejudica a integridade do mercado, mas também tem efeitos econômicos concretos. Empresas com maior risco de insider trading pagam, em média, 3% a mais em juros em suas captações. Isso representa um custo extra de R$ 1,2 bilhão por ano para o setor corporativo brasileiro.
Moraes destaca que a regulação atual é insuficiente. “A CVM precisa de mais recursos para monitorar e punir esses casos. O custo para a economia é alto demais para ser ignorado”, afirmou. A pesquisa sugere a criação de um sistema de alerta automático baseado no modelo preditivo.
Casos recentes e fiscalização
Nos últimos dois anos, a CVM multou 17 pessoas físicas e jurídicas por insider trading, com penalidades que somam R$ 45 milhões. No entanto, o estudo estima que apenas 10% dos casos são detectados. A FGV propõe que o modelo seja integrado ao sistema de vigilância da B3 para aumentar a eficácia da fiscalização.
O presidente da Associação dos Investidores do Mercado de Capitais, Ricardo Lemos, apoiou a iniciativa. “Qualquer ferramenta que reduza a assimetria de informação é bem-vinda. Precisamos de um mercado mais transparente para atrair capital estrangeiro”, disse Lemos.



