Juros futuros sobem levemente com Treasuries e petróleo
Juros futuros sobem com Treasuries e petróleo

Os juros futuros encerraram a sessão desta terça-feira (21) com leve alta, refletindo o movimento de avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e a valorização do petróleo no mercado internacional. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,94% para 14,97%, enquanto o DI para janeiro de 2029 passou de 15,08% para 15,12%.

Influência externa domina o pregão

O mercado doméstico de juros foi guiado pelo cenário externo, com a alta dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo. O título de 10 anos americano subiu para 4,25%, ante 4,20% no fechamento anterior, pressionado por expectativas de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo. "O movimento dos Treasuries contagiou os mercados emergentes, elevando as taxas futuras no Brasil", explicou um operador consultado pela reportagem.

Além disso, o petróleo tipo Brent avançou 1,5%, cotado a US$ 80,50 o barril, o que também contribuiu para a alta dos juros futuros. A commodity energética impacta as expectativas de inflação, já que seus derivados têm peso relevante no índice de preços ao consumidor.

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Curva a termo e expectativas de inflação

A curva a termo da taxa de juros (swap) apresentou inclinação, com as taxas longas subindo mais que as curtas. O DI para janeiro de 2031 avançou de 15,20% para 15,25%, enquanto o para janeiro de 2033 foi de 15,30% para 15,35%. Esse movimento sugere que o mercado precifica riscos inflacionários mais elevados no futuro.

Na ponta curta, o DI para janeiro de 2025 permaneceu estável em 13,80%, indicando que a expectativa para a Selic no curto prazo não se alterou significativamente. O Banco Central manteve a taxa básica em 13,75% na última reunião do Copom, e o mercado aguarda sinais sobre os próximos passos.

Impacto no mercado de capitais

A alta dos juros futuros tende a pressionar negativamente o mercado de ações, especialmente os setores mais sensíveis a juros, como consumo e construção civil. O Ibovespa fechou em queda de 0,3%, aos 120.500 pontos, influenciado também pelo cenário externo adverso. "Com juros futuros subindo, a renda fixa se torna mais atrativa, desviando fluxo da renda variável", afirmou um analista de investimentos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,2%, cotado a R$ 5,10, acompanhando o movimento global de fortalecimento da moeda americana. A combinação de Treasuries mais altos e petróleo mais caro cria um ambiente de aversão ao risco, que favorece o dólar em detrimento de moedas emergentes.

Perspectivas para os próximos dias

Os investidores agora aguardam a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos, como o PIB do segundo trimestre e o índice de preços PCE, que podem dar novas direções aos Treasuries. No Brasil, a atenção se volta para a inflação medida pelo IPCA-15 de julho, que será divulgado na sexta-feira. "Se o IPCA-15 vier acima do esperado, podemos ver nova pressão de alta nos juros futuros", alertou um estrategista de renda fixa.

O mercado também monitora o cenário fiscal brasileiro, com a tramitação do arcabouço fiscal no Congresso. Qual sinal de dificuldade na aprovação pode elevar o prêmio de risco e pressionar as taxas futuras para cima. Por enquanto, a leve alta observada reflete principalmente fatores externos, mas os riscos domésticos permanecem no radar.

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