O Ibovespa opera em alta nesta terça-feira, 15 de julho, impulsionado pelo alívio no cenário externo após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram abaixo do esperado, e pela expectativa de um acordo no Congresso para votar a Medida Provisória do frete, que pode reduzir a pressão dos caminhoneiros sobre o governo. O dólar comercial acelerou as perdas e caiu abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez em semanas, refletindo o fluxo positivo para ativos de risco.
Dólar recua com deflação nos EUA
O dólar comercial opera em queda firme, cotado a R$ 5,08 no início da tarde, após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, que registrou deflação de 0,2% em junho, contra expectativa de alta de 0,1%. O dado reforça a percepção de que o Federal Reserve pode iniciar o ciclo de corte de juros ainda neste ano, enfraquecendo a moeda americana globalmente. Operadores reduziram as apostas em alta dos juros em julho, conforme monitoramento do CME Group.
Governo busca acordo para MP do frete
No front doméstico, o governo federal tenta um acordo para votar a Medida Provisória que trata do frete rodoviário, que vence no próximo dia 20. A MP é considerada crucial para evitar uma nova paralisação dos caminhoneiros, que ameaçam paralisar o país caso não haja avanço. O relator da MP, deputado federal, sinalizou que pode ceder em alguns pontos, mas mantém a exigência de reajuste no piso mínimo do frete. A expectativa é de que a votação ocorra ainda nesta semana.
Bolsas internacionais sobem com dados de inflação
As bolsas de Nova York operam em alta, com o S&P 500 subindo 0,8% e o Nasdaq avançando 1,2%, impulsionados pelo setor de tecnologia. O índice de preços ao produtor dos EUA veio abaixo do esperado, reforçando a aposta em cortes de juros pelo Fed. O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, vai ao Congresso nesta terça-feira para depor, mas já deu sinais cautelosos, tentando se distanciar de declarações recentes de Donald Trump.
Bancos americanos superam projeções
O Citigroup superou as projeções de lucro no segundo trimestre, mas alertou para ventos contrários na divisão de cartão de crédito. O JPMorgan também superou expectativas, com lucro de US$ 13,2 bilhões, mas seu CEO, Jamie Dimon, alertou para riscos geopolíticos e inflação persistente. O Goldman Sachs lucrou US$ 6,6 bilhões no trimestre e aprovou aumento do dividendo trimestral, superando as estimativas de mercado.
Renda fixa: CDBs, LCIs e LCAs seguem atrativos
Com o dólar abaixo de R$ 5,10, a renda fixa continua oferecendo boas oportunidades. Na XP, os CDBs pós-fixados pagam até 110% do CDI, enquanto LCIs e LCAs isentas de Imposto de Renda oferecem taxas de até 95% do CDI. Para quem tem R$ 50 mil para investir, o rendimento mensal líquido pode chegar a R$ 450 em LCI de 90% do CDI, livre de IR.
FIIs: MXRF11, JSRE11 e outros pagam dividendos
No mercado de fundos imobiliários, mais de 20 FIIs pagam dividendos nesta semana, com yields que chegam a 2,08%. O MXRF11, maior fundo de papel do país, distribui R$ 0,10 por cota, enquanto o JSRE11 paga R$ 0,08. O Santander vê espaço para crescimento em FIIs de até R$ 30 bilhões, especialmente os de lajes corporativas e logística.
Vale (VALE3) ainda pode cair? Análise técnica
As ações da Vale (VALE3) operam em queda de 1,5% nesta terça, pressionadas pela desaceleração da economia chinesa e pela queda do minério de ferro. A análise técnica indica que o suporte de R$ 60 pode ser testado novamente, mas o papel ainda não deu sinais claros de reversão. O trader Ricardo Brasil, que ganhou alto com o IPO da empresa, afirma que a estratégia de comprar na baixa “morreu” com a mudança no cenário macro.
Day trade: Ibovespa mira novas altas?
O Ibovespa tenta romper a resistência dos 128 mil pontos, mas o volume de negócios ainda é baixo. A análise técnica mostra que o índice pode buscar os 130 mil pontos se conseguir fechar acima de 128.500. No entanto, o mercado de juros futuros ainda pressiona, com o DI para janeiro de 2027 subindo para 11,8%.



