O Ibovespa futuro opera em queda nesta quinta-feira (23), refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados globais. A alta do petróleo e as tensões no Oriente Médio pressionam os ativos brasileiros, enquanto investidores monitoram desdobramentos geopolíticos e dados econômicos.
Petróleo em alta e tensão no Oriente Médio
Os preços do petróleo avançam nesta sessão, com o barril do Brent sendo negociado acima dos US$ 75, impulsionado por preocupações com a oferta após ataques do Irã a instalações da CIA e declarações de que 'ninguém venderá petróleo na região se o Irã não puder'. A escalada das tensões no Oriente Médio eleva o prêmio de risco geopolítico, afetando negativamente os mercados acionários.
Segundo analistas, o cenário de incerteza pode se prolongar, especialmente com a expectativa de novas sanções dos EUA contra o Irã. O presidente Donald Trump alertou para o risco de paralisação do governo e fez apelo por votações no Congresso, adicionando volatilidade ao cenário político americano.
Impacto no mercado brasileiro
A aversão ao risco global se reflete no Ibovespa futuro, que recua mais de 0,5% nos primeiros negócios. O dólar opera em alta frente ao real, cotado a R$ 5,80, enquanto os juros futuros sobem, com a taxa do DI para janeiro de 2027 avançando para 14,85%.
Entre as ações mais negociadas, Petrobras (PETR4) cai 1,2%, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional, apesar da alta da commodity. Vale (VALE3) recua 0,8%, pressionada pela desvalorização do minério de ferro na China. Já os bancos, como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), operam estáveis.
Mercados internacionais
Nos Estados Unidos, os índices futuros operam mistos, com o S&P 500 e o Nasdaq próximo da estabilidade, enquanto o Dow Jones cai 0,3%. Investidores aguardam a divulgação de dados de pedidos de auxílio-desemprego e o índice de gerentes de compras (PMI) do setor industrial.
Na Europa, as bolsas operam em queda, com o índice Stoxx 600 recuando 0,5%, impactado por balanços corporativos fracos e pela persistência das tensões geopolíticas. O lucro da STMicroelectronics frustrou as projeções do mercado, e as ações da fabricante de chips desabaram 14%.
Agenda doméstica
No Brasil, o mercado acompanha o leilão da BR-116, que deve movimentar R$ 7,2 bilhões em obras e ter efeito cascata na economia, segundo o FGV. Além disso, o governo insiste em negociar o tarifaço, mas vê chance de avanço após as eleições no Brasil.
O índice Bovespa encerrou a sessão anterior em alta de 1,2%, interrompendo cinco quedas consecutivas. No entanto, a perspectiva para hoje é de cautela, com o mercado à espera de novos catalisadores.



