O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira, 21, praticamente estável, com leve queda de 0,03% aos 173.325,65 pontos, registrando a quinta baixa consecutiva. A mínima do dia foi de 172.219 pontos (-0,66%), enquanto a máxima atingiu 173.719,50 pontos (+0,20%). O volume financeiro somou R$ 18,1 bilhões, abaixo dos R$ 20 bilhões observados nas últimas semanas. No mês de julho, o índice acumula alta de 0,76% e, no ano, ganho de 7,57%.
Petrobras e Vale sustentam índice
As ações da Petrobras subiram impulsionadas pelo avanço do petróleo. A Petrobras ON (PETR3) valorizou 1,43% e a PN (PETR4) avançou 1,24%. O barril do Brent fechou em alta de 2%, cotado a US$ 91,01, devido a preocupações com o fluxo da commodity no Oriente Médio. A Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que o tráfego no Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em três semanas. Além disso, ameaças do grupo iemenita Houthi à navegação no Estreito de Bab-El-Mandeb acenderam o alerta. Outras empresas do setor petrolífero também se beneficiaram, como a PRIO (PRIO3), que subiu 0,85%.
A Vale ON (VALE3) fechou em alta de 0,43%, superando a volatilidade e a queda do minério de ferro no mercado internacional. O movimento foi influenciado pela expectativa em torno da divulgação dos dados operacionais do segundo trimestre, que ocorreu após o fechamento do mercado.
Setor financeiro e altas do dia
O setor financeiro contribuiu para a recuperação do índice. O Banco do Brasil ON (BBAS3) disparou mais de 3%, impulsionado pelo otimismo com os impactos da Medida Provisória sobre a renegociação de dívidas rurais. O Itaú Unibanco PN (ITUB4) subiu 0,54%, e o Bradesco PN (BBDC4) avançou 0,76%.
As maiores altas do Ibovespa foram registradas por MBRF (MBRF3), com ganho de 4,06%; Usiminas PNA (USIM5), de 3,68%; e CSN Mineração ON (CMIN3), de 3,53%.
Maiores quedas: cíclicas pressionam
Na ponta negativa, predominaram os papéis cíclicos. A Hypera ON (HYPE3) liderou as perdas, caindo 5,51%, seguida pela Rede d'Or ON (RDOR3), com baixa de 4,32%, e Yduqs (YDUQ3), que recuou 4,16%.
O Ibovespa descolou-se do desempenho positivo das bolsas internacionais. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,74%, o Nasdaq avançou 1,29% e o S&P 500 ganhou 0,89%. Na Europa, os principais índices também fecharam em alta. O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, explicou: “Está claro um movimento de preferência por mercados desenvolvidos, com os mercados europeus fechando em movimento similar, ignorando a pressão nos preços do petróleo e com investidores otimistas com a temporada de resultados nos EUA”.
Descolamento da bolsa brasileira
Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o descolamento do Ibovespa dos pares no exterior está relacionado ao perfil da bolsa brasileira. “O vetor que faz as bolsas americanas subir é outro, ligado à tecnologia, enquanto a gente se restringe a commodities”, afirmou. A liquidez reduzida, com giro abaixo de R$ 20 bilhões, também contribuiu para a volatilidade do mercado local.
O dólar à vista encerrou a sessão de segunda-feira em baixa de 0,42%, cotado a R$ 5,0896. Nesta terça, a moeda norte-americana recuou 0,31%, para R$ 5,07, em meio a notícias conflitantes sobre o Oriente Médio.



