O fluxo de capital estrangeiro na B3 continua negativo, com saídas líquidas acumuladas de R$ 45,6 bilhões em 2025, segundo dados da bolsa. O JPMorgan, em relatório recente, afirma que o cenário de curto prazo deve permanecer desafiador, com poucos sinais de reversão imediata.
Por que o fluxo estrangeiro está negativo?
O movimento de saída de recursos reflete uma combinação de fatores globais e domésticos. Nos Estados Unidos, a expectativa de grandes ofertas públicas iniciais (IPOs), como a da SpaceX, atrai investidores estrangeiros, desviando fluxo de mercados emergentes como o Brasil. Além disso, a alta dos juros americanos torna os títulos do Tesouro dos EUA mais atrativos, reduzindo o apetite por risco em ativos brasileiros.
Internamente, a inflação elevada e a incerteza sobre a trajetória da Selic também pesam. O IPCA de maio rompeu o teto da meta, reacendendo o debate sobre a manutenção ou corte da taxa básica de juros. O JPMorgan destaca que, enquanto o Banco Central não sinalizar uma flexibilização mais clara, o fluxo estrangeiro tende a permanecer negativo.
O que pode mudar o cenário?
O relatório do JPMorgan aponta que um eventual alívio pode vir de dois lados: a conclusão dos grandes IPOs nos EUA, que pode redirecionar parte do capital para mercados como o Brasil, e uma sinalização mais dovish do Copom, que poderia estimular a entrada de investidores em busca de yields mais altos. No entanto, o banco alerta que o curto prazo ainda é de cautela.
Outro ponto de atenção é o impacto do fluxo estrangeiro sobre o Ibovespa. Com a saída de recursos, o índice tem enfrentado dificuldades para sustentar altas consistentes, mesmo com o bom desempenho de ações de commodities e empresas domésticas.
O mercado segue monitorando de perto os próximos passos do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil, além dos desdobramentos das ofertas públicas nos EUA, para avaliar se o fluxo estrangeiro na B3 pode se reverter nos próximos meses.



