Fintechs ampliam crédito, mas grandes bancos dominam com 64,8%
Fintechs ampliam crédito, mas grandes bancos dominam

As fintechs brasileiras ampliaram sua oferta de crédito, mas ainda estão longe de ameaçar o domínio dos grandes bancos. De janeiro a março deste ano, Nubank, Inter, C6, Mercado Pago e XP concederam R$ 354,6 bilhões em crédito, alcançando uma fatia de 4,5% do mercado. No mesmo período do ano passado, o volume foi de R$ 278,3 bilhões, representando 3,8% do total.

Crescimento impulsionado pelo crédito consignado

O avanço das fintechs é puxado principalmente pelo crédito consignado, que tem juros mais baixos e menor risco de inadimplência. Segundo a Zetta, associação que representa as fintechs, o consignado já responde por 12% da carteira dessas empresas. "O consignado é uma porta de entrada importante para conquistar novos clientes", afirma o presidente da Zetta, Eduardo Prado.

Grandes bancos ainda dominam

Apesar do crescimento, os cinco maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) detêm 64,8% do mercado de crédito, segundo dados do Banco Central. Isso mostra que as fintechs ainda têm um longo caminho para competir de igual para igual. "A concentração bancária no Brasil é uma das maiores do mundo", comenta o analista financeiro Carlos Menezes.

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Open Finance não atinge expectativas

O Open Finance, sistema que permite o compartilhamento de dados financeiros entre instituições, foi criado para aumentar a concorrência, mas não cumpriu o esperado. A Zetta sugere melhorias, como a padronização de APIs e a obrigatoriedade de portabilidade de crédito. "Precisamos de regras mais claras para que o Open Finance funcione de verdade", diz Prado.

Portabilidade como chave para competitividade

Especialistas apontam que a portabilidade de crédito é essencial para que as fintechs cresçam. Atualmente, a migração de dívidas entre bancos é burocrática e demorada. "Se a portabilidade fosse mais simples, os consumidores poderiam escolher as melhores taxas, forçando os bancos a competir", explica Menezes.

Enquanto isso, as fintechs continuam investindo em tecnologia e experiência do usuário para atrair clientes. O Nubank, por exemplo, já possui mais de 80 milhões de clientes no Brasil, mas sua carteira de crédito ainda é modesta comparada aos gigantes.

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