As tensões no Oriente Médio, com a escalada entre EUA, Israel e Irã, afetaram as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a região em março. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram quedas significativas nos embarques.
As vendas de carne bovina para os Emirados Árabes Unidos caíram 49% em volume em março, na comparação com o mesmo mês de 2024. Outros destinos também registraram retrações: Catar (-55,3%), Jordânia (-44,8%), Iraque (-42,5%) e Kuwait (-34,4%). O Egito, maior comprador da região, teve redução de 16%, enquanto a Arábia Saudita, segundo maior, caiu 7,6%.
No setor de frango, as exportações para o Oriente Médio em março recuaram 18,5% em relação a fevereiro, mês anterior ao agravamento do conflito. A Arábia Saudita, principal destino, importou 38,7 mil toneladas, volume 5,3% menor que em março de 2024.
Apesar das quedas regionais, as exportações totais brasileiras de carne bovina cresceram 9,1% em março, somando 270,8 mil toneladas, com receita de US$ 1,48 bilhão (alta de 26%). No frango, o total exportado foi de 504,3 mil toneladas, aumento de 6% ante o mesmo mês de 2024.
O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que o fluxo de exportações para o Oriente Médio continua por rotas alternativas, com mais de 100 mil toneladas enviadas à região em março, sendo 45 mil para países impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Ele afirmou que as gestões do Ministério da Agricultura e do setor têm garantido a oferta de alimentos para as áreas afetadas.



