Brasil tem 9,14% de chance de conquistar o hexa na Copa 2026, aponta matemática
Brasil tem 9,14% de chance de vencer a Copa 2026

Qual a probabilidade de o Brasil conquistar o hexacampeonato na Copa do Mundo 2026? Essa é a pergunta que ecoa entre os torcedores desde 2002. Muitos fatores, como entrosamento, qualidade individual e até uma parcela de sorte, são indispensáveis para uma seleção campeã. Com a estreia do Brasil marcada para o próximo sábado (13), a dúvida volta à tona. Enquanto os pessimistas apontam um futebol em declínio, os otimistas lembram que o esporte sempre pode surpreender. Mas a matemática, imparcial, oferece uma resposta precisa: a probabilidade de o Brasil vencer a Copa de 2026 é de 9,14%.

Cálculo da probabilidade

O dado é do grupo Previsão Esportiva, formado por pesquisadores e professores universitários de Matemática e Computação. A cada edição da Copa, eles calculam as chances de cada seleção. Embora 9,14% pareça pouco, os matemáticos garantem que o Brasil ainda figura entre os cinco principais favoritos.

Como funciona a simulação

A simulação é estatística e envolve milhares de repetições dos confrontos – a Copa é repetida um milhão de vezes. Ricardo Rocha, professor de Estatística e Inteligência Artificial da UFBA e coordenador do Previsão Esportiva, explica que a probabilidade de uma seleção ser campeã é baseada na frequência com que o resultado ocorre nessas simulações. "Se todas as seleções fossem iguais, dividiríamos 100% entre 48 nações, dando 2% para cada. Mas, na realidade, a conta envolve muitos fatores que fazem a favorita ter 14% de chance", compara.

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Fatores considerados

O cálculo leva em conta diversos aspectos que tornam a previsão mais realista:

  • Ranking FIFA: pontuação oficial de cada seleção.
  • Ranking ELO: mede a força competitiva atual a partir de resultados internacionais.
  • Valor de mercado: soma do valor de mercado de todos os jogadores convocados.
  • Momento atual: variação no ranking ELO no último ano.
  • Histórico na competição: desempenho passado em Copas.
  • Fator anfitrião: bônus para seleções que jogam em casa.

Francisco Louzada, professor do ICMC-USP e também coordenador do grupo, afirma que essas variáveis tornam o cálculo mais real. "O Brasil entra com probabilidade 'carregada' pelo seu desempenho histórico e técnico, assim como outras favoritas, como França e Inglaterra."

Favoritismo concentrado

O favoritismo ao título fica concentrado em uma lista seleta. O top 10 concentra quase 80% da chance de ser campeão, expondo a desigualdade entre as seleções. "A Copa é um campeonato muito difícil mesmo para as favoritas. Estar jogando bem só te dá chance de bater de frente com as outras", comenta Rocha.

Seleções que podem surpreender

Além das favoritas, o grupo mapeou seleções com potencial de surpresa, considerando todas as variáveis. A força de cada equipe é classificada em níveis, com destaque para aquelas que podem desafiar as favoritas.

Matemática não prevê o futuro

Apesar das simulações, os especialistas são categóricos: modelos matemáticos não preveem o futuro. Louzada afirma que, no futebol, a precisão raramente passa de 60% a 70% devido à natureza do esporte, especialmente por envolver poucos gols e ter alto impacto do acaso. "No futebol, o acaso tem peso desproporcional comparado a esportes como basquete ou vôlei. Como o placar é baixo, um evento único e aleatório pode decidir o destino de uma seleção." Rocha reforça: "De todos os esportes, o futebol é um dos mais difíceis de prever. Nenhuma equipe é tão fraca a ponto de ter certeza que vai perder, nem tão forte a ponto de garantir vitória."

À medida que os jogos avançam, o grupo refaz as simulações, fixando os resultados já concretizados, o que torna as previsões mais precisas para as fases seguintes. No entanto, por ser um campeonato curto, não há tempo para que a sorte e o azar se equilibrem. "O acaso assume um papel central: um erro individual, um desvio fortuito ou um lance de azar pode eliminar a melhor seleção do mundo", conclui Louzada.

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